Após mais de duas décadas se escondendo, Francisco Edson Pereira, de 53 anos, finalmente se vê diante da Justiça. Acusado de um homicídio no âmbito do Gama, sua trajetória marcada por crimes e fugas chegou a um ponto crucial. O júri está agendado para esta terça-feira (11/11), a partir das 9h, no Tribunal do Júri do Gama, onde a narrativa de sua vida inconstante será desvelada.
Nascido em Tianguá (CE), Francisco se aventurou na vida urbana como repositor em um supermercado. Sua jornada, no entanto, virou tragédia em 1º de maio de 1999, quando esfaqueou José Eroaldo Ferreira de Menezes, então com apenas 22 anos, em um ato intempestivo causado por desavenças. A vítima não sobreviveu, e um mandado de prisão foi emitido no ano seguinte. Desde então, Francisco se tornou o fugitivo mais procurado do Distrito Federal.
A ineficácia das tentativas de captura fez com que o processo contra ele fosse suspenso em 2013. Porém, a determinação do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) não abrandou. Em junho de 2024, a busca foi reiniciada, resultando em sua localização e prisão em Roraima, no dia 24 de fevereiro de 2025. O fato de Francisco usar um nome falso foi um dos grandes desafios para as autoridades. Ele estava escondido em um sítio rural quando foi finalmente detido.
Conforme revelou o promotor de justiça Marcelo Henrique de Azevedo Souza, os anos de fuga foram acompanhados por uma série de agressões a mulheres, incluindo um histórico de violência doméstica em Roraima. Francisco, que se auto identificava como Francisco Adriano, foi acusado de invadir a casa de uma ex-companheira, gerando ameaças com arma branca, antes de ser novamente interpelado pela polícia.
“Por conta da Maria da Penha, essa mulher o deixou. Ele invadiu a casa armado de faca. As pessoas conseguiram fugir. E a polícia prendeu ele”, explicou o promotor, ressaltando a gravidade de suas ações.
A fuga e os crimes subsequentes não tiveram sérias consequências jurídicas em Roraima, já que as queixas acabam por prescrever. No entanto, o MPDFT continuou a meticulosa investigação, estabelecendo uma rede de cruzamento de dados que culminou na captura do foragido, que não se registrava em órgãos oficiais, como INSS e, consequentemente, não tinha documentação.
A vida de Francisco nos campos e lavouras não conseguiu apagar seu passado sombrio. Após ser abordado, ele inicialmente negou sua verdadeira identidade, mas logo admitiu ser o fugitivo à procura de justiça há tanto tempo. O promotor Marcelo enfatizou a importância deste julgamento, que trará à tona uma reflexão sobre a responsabilidade criminal, não importando o tempo passado.
“Este caso é um alerta para todos: aqueles que cometem crimes são eventualmente responsabilizados, não importa o tempo que passe”, concluiu. Com o julgamento à porta, a sociedade observa, atenta, a possibilidade de justiça para uma vida que foi brutalmente interrompida.