A arte de Liniker transcende o convencional, tecendo uma tapeçaria rica de metáforas visuais e líricas que exploram a jornada da identidade queer e a busca pela emancipação. Seu álbum, “Índigo Borboleta Anil”, premiado com o Grammy Latino 2022, nos convida a adentrar seu universo íntimo.
O single de estreia, “Psiu”, utilize a água e o mar como símbolos de transformação. Com versos como “Pra quem não sabia contar gotas / Cê aprendeu a nadar / O mar te cobriu sereno / Planeta Marte”, Liniker nos revela a importância da reinvenção e da resistência às opressões sociais.
A referência a “Planeta Marte” é um carinho endereçado a si mesma, acolhendo a complexidade de ser queer, como um corpo visto como “marciano”. Liniker se apresenta como um “planeta inteiro”, onde a ambiguidade se torna expressão pura da dialética e da humanização.
Em “Psiu”, ela se despede das imposições sociais com a frase “Descascou o medo pra caber coragem”, simbolizando um processo de emancipação que transforma a dor em um “mergulho que me encheu de graças”.
Por outro lado, “Baby95” traz um ritmo contagiado e festivo, celebrando um amor transgressor. A integração do pagode em sua sonoridade a torna um marco de resistência, celebrando o ato de amar em sua essência mais íntima.
Ambas as canções compartilham um mesmo intuito: converter a dor em linguagem e essa linguagem em possibilidades. A obra musical de Liniker—englobando letra, melodia e imagem—é um compêndio de histórias de vidas, refletindo que a identidade é, na verdade, um contínuo movimento de metamorfose.
O ápice dessa poética se desenrolará no palco, quando o público de Brasília vivenciará essa experiência única no dia 14 de dezembro, encerrando o Festival Estilo Brasil.
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Festival Estilo Brasil
Local: Ulysses Centro de Convenções
Ingressos: Bilheteria Digital
Programação:
Caetano Veloso – 11 de dezembro
Liniker – 14 de dezembro