O setor de defesa brasileiro enfrenta desafios significativos nos próximos anos, especialmente devido à crescente presença militar dos Estados Unidos na Venezuela e a um cenário internacional de conflitos. A opinião é de Audo Faleiro, que atua como assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República. Durante a 2ª Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada em São Bernardo do Campo (SP), ele destacou a necessidade urgente de o Brasil abordar questões de segurança.
Faleiro mencionou que, embora haja uma percepção de vulnerabilidade devido à ação militar dos EUA, não vê uma ameaça imediata às reservas de petróleo do Brasil ou ao programa nuclear nacional. No entanto, ressaltou que o país precisa decidir sobre investimentos no setor de defesa. Ele observou a divisão entre aqueles que acreditam que o Brasil é pacífico e não necessita de defesa e os que questionam a efetividade de tais investimentos diante da assimetria militar.
Sobre conflitos assimétricos, Faleiro citou exemplos como a situação entre Estados Unidos e Irã. Ele destacou que a força não é sempre decisiva quando se possui uma boa estratégia de dissuasão. Ele enfatizou que o Brasil é vulnerável e que é essencial repensar sua posição em relação à defesa nacional.
Minerais Críticos e Terras Raras
Além da defesa, Faleiro elencou outros desafios importantes na política externa do Brasil até 2030, como a questão de minerais críticos e terras raras, soberania digital, crime organizado transnacional, e integração regional, especialmente com países africanos. Ele mencionou que o Brasil é o segundo maior detentor de minerais críticos, mas que a legislação atual nesse setor é defasada e precisa de modernização.
Em termos de crime organizado, Faleiro alertou sobre a manipulação política do tema. O Brasil, que recentemente assumiu a direção da Interpol com um delegado da Polícia Federal, deve propor uma agenda de combate ao crime para a América Latina.
Soberania Digital
Faleiro também destacou a soberania digital, afirmando que o Brasil está atrasado e precisa se apressar com investimentos nessa área para não perder competitividade. Ele sublinhou a importância de não ignorar essa questão vital para a segurança e prosperidade do país.
Integração com América Latina e África
A integração regional é outra preocupação. Faleiro afirmou que a situação política na Argentina e na Venezuela complica os esforços de unir a América Latina, dificultando o trabalho em blocos como a Unasul e a Celac. Quanto aos países africanos, ele observou que o Brasil enfrenta um desafio, já que outras nações estabeleceram relações mais eficazes nos últimos anos, exigindo que o Brasil repense sua abordagem na cooperação africana.
Os Brics
Faleiro também opinou sobre os Brics, criticando a expansão recente do bloco, que, segundo ele, resultou em paralisia devido a conflitos internos. Ele acredita que isso foi um erro e que a falta de consenso nos Brics sobre assuntos internacionais, como o Oriente Médio, demonstra a fragilidade da atual configuração do grupo.
A política externa do Brasil está em uma encruzilhada, onde decisões estratégicas são mais necessárias do que nunca. O que você pensa sobre o futuro da defesa e política externa do Brasil? Compartilhe sua opinião nos comentários.