Delegado que mandou matar jornalista recebe aposentadoria de R$ 30 mil

Compartilhe

Na noite de 11 de novembro de 1984, um crime brutal abalou Brasília. O repórter policial Mário Eugênio Rafael de Oliveira, conhecido por seu bordão “Aqui só se fala a verdade, somente a verdade. Doa a quem doer”, foi assassinado em frente à Rádio Planalto. Nesse período conturbado, sob a sombra da ditadura militar, Mário denunciava um grupo de extermínio vinculado a agentes policiais, resultando em sua trágica morte.

Seu corpo foi encontrado com marcas cruéis: facadas na nuca e a devastadora combinação de tiros de uma espingarda calibre 12 e um revólver “magnum”, calibre 381. O impacto do crime não apenas desfigurou seu crânio, como também deixou marcas na história do jornalismo brasileiro.

A investigação identificou sete suspeitos, mas a maioria conseguiu penas mínimas, respondendo em liberdade. Entre os mandantes, destacaram-se o coronel do Exército Lauro Melchiades Rieth e o delegado Ary Sardella, ambos acusados de envolvimento em diversas atrocidades. Apesar de condenações, muitos processos foram arquivados, permitindo que esses indivíduos permanecessem longe da justiça.

Rieth, criticado pelo próprio Mário, eventualmente revelou a participação de militares em um “esquadrão da morte”. A revelação de que sua filha recebe uma pensão militar de R$ 35 mil mensalmente desde 2018, após sua morte, expõe a continuidade da impunidade e do apoio governamental a criminosos de colarinho branco.

Ary Sardella, que obteve notoriedade por sua carreira nas forças policiais e posteriormente no tiro esportivo, atualmente recebe um salário superior a R$ 30 mil. Sua trajetória, celebrada em informativos, contrasta com o legado de Mário, que busca apenas justiça e verdade. É irônico que o homem que mandou calá-lo seja exaltado como “O mestre do tiro esportivo”.

Outros participantes do crime incluíram o sargento Antônio Nazareno Mortari Vieira e os cabos do Exército David Antônio do Couto e Aurelino Silvino de Oliveira. Todos mantêm vínculos com as forças armadas e recebem pensões, gerando um total superior a R$ 70 mil para os cofres públicos do DF. Entre os condenados, há relatos de um suicídio misterioso que levantou suspeitas sobre uma possível “queima de arquivo”.

A história de Mário Eugênio é não apenas um relato de injustiça, mas um lembrete da luta pela verdade em um regime opressivo. O Brasil viveu tempos sombrios, e ainda hoje, a memória de 25 jornalistas mortos ou desaparecidos clama por reconhecimento e justiça. Enquanto acompanhamos esse enredo, o desafio persiste: garantir que jornalistas continue a falar a verdade, independentemente do custo.

Como você vê a importância da liberdade de imprensa na sociedade atual? Compartilhe suas opiniões nos comentários!

Você sabia que o Itamaraju Notícias está no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter e no Whatsapp? Siga-nos por lá.

Veja também

Mais para você