Desenrola oferece apoio, mas não reduz expressivamente o endividamento dos brasileiros

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O programa Desenrola 2.0, que visa auxiliar famílias endividadas, já movimentou R$ 44,7 bilhões em renegociações de dívidas nos primeiros três meses de operação. Apesar desse valor expressivo, os efeitos ainda não se refletem na redução do endividamento da população, que continua elevada e preocupante. Em junho, 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% com contas em atraso, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio.

De acordo com o Serasa, o número de negativados chegou a 83,7 milhões, o maior registrado até o momento em 18 meses. O cartão de crédito segue sendo o maior responsável pelo endividamento, afetando 84,7% dos consumidores. A dívida com bancos e cartões representa 27,2%, enquanto contas básicas e financeiras representam 21,3% e 19,6%, respectivamente.

O Desenrola 2.0 foi lançado em maio e busca aliviar a pressão do endividamento recorde enfrentado por muitas famílias brasileiras. Embora tenha gerado um volume significativo de renegociações e descontos, a inadimplência permanece em nível elevado. O programa visa regularizar débitos através de melhorias nas condições de pagamento e na concessão de crédito.

Diferente da edição anterior, a nova iniciativa também inclui micro, pequenas e médias empresas. Com parcerias entre bancos e instituições financeiras, o programa oferece condições mais flexíveis e utiliza garantias do FGTS, reduzindo assim as taxas de juros.

A proposta tem sido promissora, com 3,5 milhões de operações realizadas entre famílias, reduzindo a média das dívidas de R$ 20,9 bilhões para R$ 3,7 bilhões após renegociações. Para empresas, foram disponibilizados R$ 21,7 bilhões pelo Pronampe e R$ 1,5 bilhão pelo Procred. Além disso, operações com garantia do FGTS totalizaram cerca de R$ 55,5 milhões.

Quem pode participar do programa

  • Pessoas físicas com renda mensal de até 5 salários mínimos podem aderir ao programa;
  • Consumidores com dívidas de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal estão incluídos;
  • Os débitos precisam ter sido contraídos até 31 de janeiro de 2026 e estar em atraso entre 91 dias a 2 anos;
  • O programa tem previsão de duração de 90 dias a partir de 4 de maio, oferecendo descontos de até 90% e juros de até 1,99% ao mês.

Banco Central alerta para aumento no endividamento

O Banco Central está em alerta sobre o crescimento histórico do endividamento das famílias, enfatizando um aumento contínuo no comprometimento da renda com dívidas, especialmente as de crédito mais caro, como o cartão. Em comunicado recente, a autoridade financeira observou que a combinação do alto endividamento e a deterioração dos índices de inadimplência são motivo de preocupação para a capacidade de pagamento das famílias.

Com um cenário de juros elevados e uso intensivo de crédito rotativo, a pressão sobre o orçamento das famílias persiste. “O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando”, alertou o Comitê de Estabilidade Financeira.

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