Investidor acusa a Digimais de comercializar carteiras falsas da Master e da Fictor

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Demétrio Vecchioli

Denúncia de fraude envolvendo o Banco Digimais e títulos falsos

26/06/2026 15:22

, atualizado 26/06/2026 15:47

Um investidor denuncia que o Banco Digimais, vinculado ao bispo Edir Macedo, vendeu uma carteira de títulos fraudulentos, totalizando R$ 316 milhões, que foram gerados por empresas ligadas a irregularidades. Apesar das fraudes terem sido descobertas em agosto de 2025, os títulos permanecem registrados no banco como ativos.

A situação é semelhante ao que ocorreu com o BRB, que adquiriu carteiras de crédito inexistentes do Master. No caso do Digimais, Roberto Campos Marinho Filho, o investidor, comprou em fevereiro de 2025 uma carteira de 55 mil CCBs (Cédula de Crédito Bancário) por R$ 659 milhões, apenas para descobrir que mais de 22 mil contratos, gerados por Master, Fictor e Reag, eram falsos.

Em sua análise, Marinho constatou que todos os contratos originados por essas empresas estavam fraudulentos, enquanto os de outras instituições eram legítimos, embora alguns estivessem inadimplentes. A auditoria revelou que não havia provas documentais que confirmassem a existência de empréstimos, o que levou o banco a vender direitos de cobrança de títulos sem validade.

Mecanismo da fraude

Marinho fechou o negócio com o Digimais por meio de um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), onde o banco se tornava acionista e Marinho, o único cotista. Após a venda, enquanto tentava organizar a papelada para assumir os títulos, ele recebeu pagamentos do Digimais referentes a dívidas que, na realidade, nunca existiram.

Ao perceber as irregularidades, o investidor procurou o Banco Central para formalizar a denúncia e reverter a transação. Em agosto de 2025, ele devolveu a carteira falsa, mantendo apenas os contratos reais de outras instituições. Agora, a Yards Capital, também relacionada a Marinho, solicita judicialmente o reconhecimento da nulidade da transação e pede uma indenização ao Digimais.

A Yards afirma que o banco não fez a devida diligência antes de realizar a venda e posteriormente transferiu a carteira sem os documentos essenciais. Contudo, as informações sobre a devolução e a falta de documentação não foram reportadas nas demonstrações financeiras de 2025 do Digimais, que ainda reconhece R$ 744 milhões em créditos do fundo de Marinho.

O fundo, que era administrado pela Sefer, foi liquidado pelo Banco Central e, atualmente, está sob a gestão da Qore. Disputas judiciais entre a Yards e o Digimais estão em andamento, com a primeira pedindo indenizações e alegando que executivos do banco orientaram a suspensão de pagamentos de títulos legais.

Procurado para comentar o assunto, o Banco Digimais optou por não se manifestar sobre as alegações.

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