16ª Feira Baiana se tornou vitrine estratégica do rural em plena capital

Compartilhe

A Bahia já começa a sentir o peso simbólico e político da 16ª Feira Baiana da Agricultura Familiar e Economia Solidária, evento que promete mobilizar o Parque Costa Azul, em Salvador, entre os dias 10 e 14 de dezembro. Muito além de uma exposição de produtos, a feira se consolida como um espaço estratégico de promoção, identidade e disputa de protagonismo entre os territórios do rural baiano.

Promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) em parceria com a Unicafes-BA, a iniciativa reafirma a força de um setor que sustenta milhares de famílias, move a economia local e mantém vivas tradições que, muitas vezes, são invisibilizadas nos grandes centros de decisão.

Diversidade que mobiliza economia, cultura e identidade

São quase 700 expositores, representando mais de 650 empreendimentos dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. A feira compõe um mosaico plural: tendas indígenas e quilombolas, artesanato, flores, agroindústrias e mais de 6 mil produtos, resultado de investimentos em assistência técnica, regularização fundiária, agroindustrialização e acesso a mercados.

Nas duas praças gastronômicas, o público encontra desde pratos tradicionais até criações inesperadas, hamburguês de suíno e bode, pastéis de jaca, moquecas e bebidas artesanais. Ali, cada sabor carrega a história de quem planta, colhe e transforma.

Uma dessas histórias é da Capribréee, referência no Sertão do São Francisco. À frente da cooperativa, Eugênia Ribeiro celebra a oportunidade:

“É o momento de divulgar, vender e mobilizar futuros negócios. A gente espera o ano todo por essa feira. É onde mostramos nossos queijos premiados, que hoje estão pelo Brasil inteiro”.

A fala humaniza aquilo que muitos ignoram: por trás de cada produto exibido, existe uma família, um esforço coletivo e um território que resiste.

Caminho da Roça: inovação, tradição e disputa de narrativa

Entre as grandes novidades está o Caminho da Roça, com seis espaços temáticos que apresentam os principais sistemas produtivos da Bahia, mel, café, mandioca, cacau, queijo e caprinos/ovinos. A experiência mostra, passo a passo, o processo produtivo, do campo ao beneficiamento.

É uma vitrine que une tecnologia e tradição, aproximando o visitante da dinâmica que move a economia rural e questiona a distribuição histórica de investimentos entre campo e cidade. Aqui, o produto não é apenas mercadoria: é política, cultura e sobrevivência.

O palco onde política pública, sustentabilidade e território se encontram

A feira também se afirma como espaço de formação e articulação política. A programação reúne encontros e simpósios que discutem políticas públicas, agroecologia, cooperativismo, biodiesel social, avicultura caipira e estratégias de expansão para o setor.

Para o secretário Osni Cardoso, a feira simboliza o encontro do povo com o alimento que chega à mesa:

“Cada estande representa uma história de dedicação. A feira é a grande festa da produção da agricultura familiar baiana, e uma oportunidade de fortalecer um setor que movimenta a economia, preserva tradições e sustenta o interior do estado”.

A expectativa de 60 mil visitantes ao longo dos cinco dias confirma que o evento já ultrapassou a barreira da comercialização. Agora, ele se posiciona como território de disputa política, onde governo, cooperativas e comunidades reafirmam o papel estratégico da agricultura familiar para a economia, a cultura e a identidade da Bahia.

No fim, a feira não apenas celebra o campo, ela reivindica seu lugar no debate público e evidencia que o futuro da Bahia passa, inevitavelmente, pela força de quem produz no silêncio do interior, mas transforma realidades no coração da capital.

Você sabia que o Itamaraju Notícias está no Facebook, Instagram, Telegram, TikTok, Twitter e no Whatsapp? Siga-nos por lá.

Veja também

Mais para você