
A independência do Federal Reserve, o banco central mais influente do mundo, está novamente sob fogo cruzado. A investigação criminal aberta pelo Departamento de Justiça dos EUA contra Jerome Powell, presidente do Fed, coloca em dúvida não apenas suas declarações, mas também o futuro da autossuficiência da instituição em meio à pressão incessante de Donald Trump.
O QUE ESTÁ SENDO INVESTIGADO?
A investigação avalia se Powell fez declarações falsas ao Senado sobre os custos e modificações do projeto de reforma de dois prédios históricos do banco central em Washington, cujo gasto é estimado em US$ 2,5 bilhões. A obra se tornou um alvo de críticas severas após Trump questionar a magnitude dos gastos no ano passado.
Com essa pressão crescente, Powell afirma que a investigação é uma manobra política para forçar o Fed a cortar taxas de juros, algo que ele considera uma traição ao interesse público. “Ninguém está acima da lei”, declarou, mas ressaltou que a ameaça de acusações deve ser vista no amplo contexto de controle governamental.
A REAÇÃO DE TRUMP
Em entrevista, Trump negou ter conhecimento da investigação, mas não poupou críticas a Powell. Para ele, a verdadeira pressão deve vir da necessidade de cortar juros, que estão elevados demais. “Ele prejudicou muita gente. O público está pressionando,” afirmou, deixando clara sua insatisfação com a condução do banco central.
Enquanto isso, o caso está sob a alçada da procuradora federal Jeanine Pirro, que iniciou a apuração em novembro, focando não só no depoimento de Powell, mas também nas despesas da obra. Este ambiente conturbado lança sombras sobre a autonomia do Fed, levantando questões sobre a capacidade do banco de tomar decisões econômica independente.
Diante dessa incerteza, o senador Thom Tillis declarou que bloqueará qualquer indicação de Trump para o Fed até a resolução do caso, enfatizando a tentativa do governo de corroer a independência da instituição. Elizabeth Warren, senadora democrata, corroborou essa preocupação, alegando que Trump está manipulando a Justiça para atender seus interesses financeiros.
O prazo do mandato de Powell termina em maio; no entanto, seu cargo no Conselho de Governadores se estenderá até 2028, proporcionando-lhe espaço para permanecer no Fed, mesmo que ele não continue como presidente. Enquanto isso, as reações do mercado já são visíveis, com queda nos contratos futuros do S&P 500 e aumento significativo no preço do ouro.
Estamos testemunhando um capítulo crítico não apenas na história do banco central, mas na própria dinâmica política americana. Como você vê esses eventos? Compartilhe sua opinião!