Transição para CBS e IBS muda a lógica fiscal e amplia a demanda por sistemas mais robustos
As mudanças fiscais promovidas pela Reforma Tributária estão forçando indústrias a reverem suas planilhas de formação de preço e a buscarem integração avançada, por meio do Enterprise Resource Planning (ERP), a fim de alcançar conformidade, garantir competitividade e evitar margens de lucro reduzidas.
Nesse processo, compreender o que diz a Reforma Tributária e para que serve o ERP são os primeiros passos para a adaptação do setor à nova realidade apresentada pelas alterações fiscais.
Segundo informações divulgadas pelo portal do Governo Federal, a Reforma Tributária tem como objetivo simplificar a tributação sobre o consumo, unificando tributos e impactando diretamente a forma como as empresas controlam suas operações fiscais e financeiras.
Na prática, a Reforma Tributária marca uma das maiores mudanças no sistema tributário nacional: a substituição gradual de PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI, conhecidos como tributos cumulativos e regimes complexos, pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Imposto Seletivo (IS). O novo modelo será implementado de forma progressiva até 2033.
A nova legislação muda a forma de apuração e gestão tributária das empresas, exigindo maior organização das informações e dos processos internos. Além das questões fiscais, o novo contexto aumenta a importância de sistemas de gestão capazes de centralizar informações operacionais, financeiras e tributárias, especialmente diante da maior exigência por controle e rastreabilidade de dados. Pequenas operações podem usar a planilha de precificação gratuita para acompanhamento.
“A Reforma Tributária força a indústria a revisar profundamente a forma como calcula seus preços. Com a transição para CBS e IBS, as empresas passam a conviver por anos com dois modelos tributários ao mesmo tempo, o que aumenta a complexidade da formação de preços”, destaca o engenheiro e sócio da Nomus, Thiago Leão.
Adaptação das indústrias à Reforma Tributária
Com a Reforma Tributária, a CBS começa a ser cobrada com alíquota simbólica de 0,9%, coexistindo com PIS e Cofins. Já o IBS, que substituirá gradualmente ICMS e ISS, tem alíquota inicial de 0,1% em 2026.
As alterações exigem revisão das estruturas de custo e das políticas de formação de preços, porque tributos que antes estavam embutidos no valor passam a ser destacados e calculados de outra forma. Ainda que a transição seja de forma gradual, demanda adequações técnicas e operacionais.
Uma delas diz respeito ao ERP, já que, como a base de cálculo dos tributos mudará, os softwares precisarão estar preparados para lidar com a nova lógica de apuração do imposto. “Esse cenário incentiva a adoção de tecnologias de gestão, especialmente ERPs, capazes de integrar custos, tributos e margens em um único ambiente”, reforça Leão.
Impactos da tributação para a indústria
A indústria brasileira é um dos setores mais prejudicados pela cumulatividade e complexidade do sistema atual, pagando tributos em várias etapas da cadeia produtiva, e nem sempre recuperando todo o crédito tributário.
Estudo do Movimento Brasil Competitivo revela que as empresas destinam, em média, 38% do faturamento para pagamento de tributos. Entretanto, para o setor industrial, o percentual chega à marca de 42%, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Com a Reforma, a expectativa é de impacto positivo na formação de preços; de substituição de tributos por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) não cumulativo, reduzindo o “efeito cascata” e o custo total dos produtos.
Além disso, a previsão é de melhoria da competitividade da indústria nacional frente aos importados e que produtos industriais tenham redução de preço, especialmente os de longa cadeia produtiva. “Com sistemas bem estruturados, a indústria consegue recalcular preços com mais precisão, garantir conformidade fiscal e tomar decisões comerciais mais seguras em um período de mudança regulatória”, aponta Leão.