O Brasil vive um momento ímpar no cenário de fusões e aquisições (M&A), destacando-se como um dos mercados mais dinâmicos da América Latina. Entre janeiro e setembro deste ano, foram movimentados impressionantes US$ 37 bilhões, distribuídos em mais de 1.300 operações. Contudo, é alarmante que muitas empresas de médio porte ainda estejam deixando oportunidades valiosas escapar por falta de preparação adequada.
Rodrigo Baraldi, um consultor estratégico com mais de 20 anos de experiência em M&As e responsável por negociações que totalizam R$ 10,2 bilhões, percebe um padrão preocupante. As empresas do middle market, com faturamentos entre R$ 20 milhões e R$ 150 milhões, frequentemente enfrentam quedas significativas em seus valuations, essencialmente por não estruturarem suas operações antes de iniciar a venda.
Muitos proprietários mergulham no processo de venda impulsionados por uma proposta sedutora, sem se darem conta da importância do planejamento prévio. Durante a due diligence, que é uma auditoria minuciosa, o que muitos não esperam aparecem: problemas financeiros que minam o valor da empresa, impostos inesperados e até questões que podem inviabilizar o acordo. Baraldi destaca: “É comum o empresário descobrir, durante a auditoria, que terá que pagar muito mais impostos do que imaginava ou que sua empresa tem passivos que poderiam ter sido solucionados anteriormente.”
Mas o que realmente trava essas negociações? Baraldi identifica três fatores cruciais que podem resultar em perdas financeiras significativas: o ego do proprietário, que muitas vezes superestima o valor de sua empresa; a quebra de confiança, que surge quando os números apresentados não estão alinhados com a realidade; e o choque cultural entre as empresas envolvidas. “Não são apenas os números que matam um M&A. Ego, confiança e cultura possuem impacto direto no fechamento da transação”, ressalta.
Para ele, a preparação é um processo que deve levar, idealmente, cerca de 18 meses e deve abordar diversos aspectos, como ajustes fiscais, organização de processos internos e implementação de uma governança sólida. Baraldi compartilha um exemplo marcante: ele ajudou uma empresa a aumentar seu valuation de R$ 68 milhões para R$ 92 milhões simplesmente reestruturando suas finanças e planejamento tributário. As contingências fiscais, que inicialmente eram de R$ 15 milhões, foram reduzidas a apenas R$ 1 milhão, facilitando assim a negociação e maximizando o retorno do proprietário.
Por fim, ele sintetiza sua visão: para que o mercado brasileiro de M&As prospere, o foco deve ser no preparo. “M&A não é como vender um imóvel. É um processo complexo que requer alinhamento entre ambas as partes. Quanto antes o empresário se preparar, maiores serão as chances de uma valorização significativa e de acordos robustos”, conclui.
Agora é sua vez: o que você acha sobre a preparação para fusões e aquisições? Você tem alguma experiência nesse processo? Compartilhe suas opiniões e insights nos comentários!