Estudantes da **Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)** levantam suas vozes em protesto. O alvo? O polêmico programa **”Experiência HCFMUSP na Prática”**, que oferece estágios a alunos de faculdades privadas por um exorbitante valor de R$ 8.450. Este cenário está gerando uma grande tensão na instituição, que já enfrenta uma greve crescente.
Manifestação e Contexto Atual
No dia 29 de abril, alunos, profissionais do **Hospital Universitário (HU)** e da USP organizaram uma manifestação, bloqueando a Av. Dr. Arnaldo e marchando até a Av. Paulista. A insatisfação é visível. Cartazes criticando o reitor **Aluísio Segurado** e o governador **Tarcísio de Freitas** transitam entre os protestantes. Esses estudantes denunciam não só o programa de estágios, mas também o **sucateamento do HU**, que perdeu cerca de 30% de seus funcionários na última década.
Henrick Munhoz Martins, vice-presidente do **Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (Caoc)**, enfatiza que o programa não apenas precariza o ensino médico, mas também tem impactos diretos na assistência à população. “Quando o acesso à prática vira produto, o paciente vira meio”, destaca Martins, alertando para a crise ética e de qualidade no atendimento do **Sistema Único de Saúde (SUS)**.
A Crise do Hospital Universitário
A crise se aprofunda. O **Hospital Universitário**, que já operava abaixo da capacidade desde 2014, agora funciona com menos de 70% de seus leitos. O resultado é um colapso no atendimento à saúde na zona oeste de São Paulo, refletido em dados alarmantes: consulta a apenas 11,5% do total realizado em 2013. A ausência de estrutura coloca em risco tanto a formação de jovens médicos quanto o atendimento à população.
Assim como os estudantes, o movimento também questiona a lógica financeira do programa que, segundo eles, desvia recursos essenciais da graduação. O modelo atual gera dependência de tombos financeiros que não justificam a adoção de programas questionáveis.

Além dos problemas relacionados ao programa de estágios, outras pautas emergem no movimento estudantil. Há uma pressão por **revisão curricular do curso de medicina**, um melhor **suporte aos trabalhadores da USP**, e a necessidade de acessar questões básicas como qualidade no **restaurantes universitários**. Os estudantes também pedem garantias acadêmicas durante a greve, temendo represálias durante este período de mobilização.
A crise do HU e os desafios enfrentados pelos estudantes são um microcosmo das dificuldades de uma estrutura acadêmica que precisa urgentemente de atenção. O futuro da medicina no Brasil depende de ações decisivas agora. O que você pensa sobre essa questão? Deixe seu comentário!