31 agosto, 2025
domingo, 31 agosto, 2025

Construção de represas mexe com o equilíbrio da Terra, diz estudo

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Imagem colorida de praia com água azul - Metrópoles

Um novo estudo da Universidade de Harvard revela um fenômeno impressionante: a construção de represas desde 1835 não apenas armazena água, mas também tem um impacto profundo na oscilação dos polos da Terra. Publicada na revista *Geophysical Research Letters*, a pesquisa marca um ponto de inflexão na nossa compreensão do equilíbrio planetário.

Os pesquisadores destacam que a acumulação de água a partir dessas represas redistribui de maneira significativa a massa do planeta, alterando a posição da crosta terrestre em relação ao manto. “Qualquer movimento de massa dentro da Terra ou em sua superfície altera a orientação do eixo de rotação, num fenômeno que chamamos de deriva polar verdadeira”, escrevem os autores.

Para entender melhor como isso acontece, é essencial reconhecer a estrutura da Terra. Composta por uma crosta sólida e um manto viscoso, a crosta pode deslizar lentamente sobre o manto. Alterações significativas de peso, como as causadas pelas represas, provocam esse deslocamento. O resultado? Um impacto direto no eixo de rotação da Terra, que, por sua vez, desloca os polos geográficos.

Estudos anteriores já indicavam esse tipo de efeito. Em março, foi revelado que o derretimento das geleiras devido às mudanças climáticas pode deslocar os polos em até 27 metros até o final deste século. Outra pesquisa, de 2023, registrou que a retirada de água subterrânea entre 1993 e 2010 causou um deslocamento de 80 cm no eixo polar.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram 6.862 represas construídas entre 1835 e 2011, utilizando um banco de dados global sobre esse tipo de construção. O volume de água retido resultou em uma queda de 23 milímetros nos níveis globais do mar, o suficiente para encher duas vezes o Grand Canyon. Através de cálculos e modelos, a equipe determinou que essa retenção causou um deslocamento de 1,1 metro na localização dos polos ao longo de 176 anos.

A autora principal, Natasha Valencic, expressa a importância dessa pesquisa: “Ao retermos água atrás de represas, não só removemos água dos oceanos, que leva a uma queda global do nível do mar, mas também redistribuímos a massa de forma diferente ao redor do mundo.”

Durante a pesquisa, os cientistas notaram duas fases distintas de deslocamento dos polos. Entre 1835 e 1954, as grandes represas na América do Norte e Europa moveram o polo norte 20 cm. Entre 1954 e 2011, a intensificação dos reservatórios na África Oriental e na Ásia provocou um deslocamento de 57 cm na direção oposta.

Embora o deslocamento dos polos tenha um efeito menor sobre os processos naturais, suas implicações para o nível do mar são significativas. No século 20, o nível dos mares subiu entre 12 e 17 cm, mas um quarto dessa água está armazenada em represas. Assim, dependendo de sua localização, essas barragens podem modificar a elevação do nível do mar.

Os pesquisadores enfatizam que os efeitos das represas devem ser considerados em modelos climáticos e previsões sobre o nível do mar. “Precisamos levar em conta essas mudanças, pois podem ser extremamente grandes e significativas”, conclui Natasha.

Que tal compartilhar sua opinião sobre como a construção de represas pode impactar ainda mais nosso planeta? Comente abaixo e participe da discussão!

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