O oportunismo escancarado de Flávio Bolsonaro ao abraçar vitrines econômicas de Lula em busca de sobrevivência política
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Entre tantas outras — como usar o cargo para enriquecer, invadir a Venezuela e construir uma arena de lutas nos jardins da Casa Branca —, a mais assombrosa realização do segundo mandato presidencial de Donald Trump foi declarar guerra ao Irã para, depois, recuar e dar o feito por não feito. Verdade seja dita: só o Congresso poderia declarar guerra, e não o fez; fingiu ignorá-la. Verdade, também, que essa foi mais uma guerra perdida pelos Estados Unidos. Nos últimos três meses, dia sim, dia não, Trump ameaçou “destruir” o Irã e suspendeu os bombardeios porque parecia próxima a assinatura de um acordo de paz entre os dois países.
Mais recentemente, anunciou que Israel, uma espécie de porta-aviões dos Estados Unidos estacionado no Oriente Médio, cessaria os ataques à Líbia, o que não aconteceu até ontem. O The New York Times ainda se refere ao conflito como “a guerra que pode estar chegando ao fim”. Na luta contra o Irã, os norte-americanos gastaram até aqui cerca de 75 bilhões de dólares. Deverão gastar mais cerca de 300 bilhões para reconstruir o Irã, pois isso faz parte do acordo. E em troca de quê? Da reabertura do Estreito de Ormuz, por onde escoam 20% de todo o consumo mundial de petróleo. O Estreito já estava aberto antes de a guerra começar. O atraso no transporte marítimo não se dissipará da noite para o dia. A popularidade de Trump desabou. É no que dá eleger um despreparado para governar.
Por falar nisso, corte para o Brasil. Quem disse em um evento público: “Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome”?
Quem defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha salários de até R$ 5 mil, uma das vitrines do governo Lula para a eleição deste ano? E quem acusou o governo de Jair Bolsonaro de ter se relacionado mal com a imprensa, acrescentando que “isso tem que ser mudado radicalmente. É um aprendizado de uma coisa que eu acho que foi feita errada, a gente não precisa repetir o erro”?
Não foi nenhum antibolsonarista. Foi Flávio Bolsonaro. Se agora Flávio defende bandeiras de Lula, por que então votar nele? O senador está atrás dos votos perdidos desde que se descobriu que ele e Daniel Vorcaro eram unha e carne, a ponto de o ex-banqueiro ter concordado em doar a fortuna de 16 milhões de reais para financiar o filme de exaltação a Jair Bolsonaro. Para completar sua desdita, Flávio bateu à porta de Trump suplicando ajuda para se eleger presidente em outubro. Dias depois, Trump aplicou um novo tarifaço aos produtos brasileiros importados por seu país.
O desespero de Flávio só faz crescer. É de se perguntar: por que à época do governo do seu pai, e até outro dia, ele não disse uma palavra a favor da manutenção do Bolsa Família e do seu aperfeiçoamento? Por que não defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha salários de até R$ 5 mil, segundo ele uma ideia acalentada por seu pai? Por que não defendeu um relacionamento respeitoso com a imprensa e a Justiça, achincalhadas pelo governo anterior? É tudo conversa para boi dormir e enganar os trouxas.
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