Governo Lula deve aguardar pacientemente uma condenação ao golpista Ortega

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O presidente nicaraguense Daniel Ortega decidiu abolir as eleições em seu país, argumentando que isso evita que opositores tomem o poder. Apesar de sua afirmação, Ortega nunca garantiu eleições limpas, utilizando métodos similares aos de Nicolás Maduro, como prisão de opositores e fraudes na contagem de votos.

Durante a comemoração da Revolução Sandinista de 1979, Ortega desafiou a possibilidade de partidos que uma vez foram apoiados pelos Estados Unidos retornarem ao poder, afirmando: “Os dias em que partidos apoiados pelos ianques e pelos somozistas voltavam ao poder acabaram. Nunca mais”. No entanto, as eleições na Nicarágua, mesmo antes de sua decisão, estavam longe de ser justas.

A situação na Nicarágua não é isolada, como demonstrado pelo colombiano Gustavo Petro, que rejeita a vitória do direitista Abelardo de la Espriella, mesmo após a validação por observadores internacionais do processo eleitoral. Essa atitude é vista como uma continuidade da postura golpista que muitos atribuem à esquerda latino-americana, que, segundo críticos, usa a democracia como uma ferramenta e não como um princípio consagrado.

Críticos ressaltam que, embora a esquerda afirme ter se convertido a um respeito pela democracia, suas práticas ainda evidenciam uma visão de que somente eles são os legítimos representantes do povo. O ex-presidente Lula do Brasil, que frequentemente apoiou líderes de esquerda com tendências autoritárias, talvez tenha distanciado-se de Ortega recentemente após ser criticado, mas nunca rompeu formalmente com ele.

Lula chegou a comparar Ortega e Maduro a figuras respeitadas da política internacional, defendendo a ideia de que as decisões de um povo, mesmo quando conservadoras ou autoritárias, devem ser respeitadas. Apesar das tensões, a amizade entre eles continuou, com Lula promovendo uma abordagem “moderada” em relação a ditadores que compartilham sua ideologia.

Contudo, a postura da esquerda em relação a golpes de Estado é ambígua, já que muitas vezes consideram esses movimentos como reflexos da vontade popular, mas é improvável que o governo de Lula condene as ações de Ortega. Assim, o que se notabiliza é um ciclo onde a busca pelo poder muitas vezes sobrepõe os princípios democráticos na América Latina.

O que você pensa sobre essa nova fase política na Nicarágua e as relações entre líderes de esquerda na América Latina? Deixe seu comentário e compartilhe suas opiniões!

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