Na vibrante atmosfera da Academia Brasileira de Letras, a editora Ciranda Cultural revelou, sob o selo Principis, três obras que guardam a alma da literatura: O Dono do Mar, Saraminda e A Duquesa vale uma Missa. Esses romances, lançados em um evento tocante, coincidiram com uma homenagem que me emocionou profundamente, onde os confrades Domício Proença e Antônio Carlos Secchin exploraram minha trajetória como autor.
Minha relação com a literatura começou cedo, influenciada pelo amor que meu pai me transmitiu pelos livros. Na pequena biblioteca de São Bento, no interior do Maranhão, mergulhei em clássicos e, mais tarde, peguei folhas datilografadas para criar pequenos livros, como A Canção Inicial e Poemas Decadentes. Esse fervor me uniu a um grupo de escritores e artistas que almejavam reviver o Maranhão, com companheiros ilustres como o poeta Bandeira Tribuzzi, que me apresentou à rica tradição da poesia portuguesa.
Com A Canção Inicial, entrei para a Academia Maranhense de Letras. No entanto, a política chamava, e, enquanto meu coração pulsava por letras, a literatura se tornava minha eterna amante. Durante meu tempo à frente do governo do Maranhão, ainda consegui escrever Norte das Águas, um livro de contos que conquistou a crítica. Apesar das demandas políticas que exigiam discursos e pareceres, fazia questão de me dedicar à escrita.
Quando a fortuna crítica da minha obra foi reunida, percebi a vastidão do meu legado: até 2018, somavam-se 119 títulos em 168 edições. Infelizmente, o intermédio político dificultou a recepção da minha literatura no Brasil. Embora grandes autores como Rachel de Queiroz e Jorge Amado tenham me reconhecido, muitos confundiam o político com o autor. No exterior, no entanto, fui apreciado apenas como escritor, obtendo reconhecimento de figuras notáveis como Lévi-Strauss e Maurice Druon.
Buscando alcançar novas gerações, optei por relançar minhas obras com um tratamento moderno, incluindo capas atraentes e a opção de adquirir um estojo com os três romances. Cada livro aborda temas distintos: O Dono do Mar narra a vida dos pescadores e as lendas do Maranhão; Saraminda foca na conexão de uma mulher com o ouro do Amapá; já A Duquesa vale uma Missa traz uma perspectiva íntima e apaixonada.
Por meio de Norte das Águas, que me reconduziu ao seio da Academia Brasileira de Letras aos 50 anos, tornei-me uma voz respeitada no meio literário. Já se passaram 45 anos desde que entrei na Academia, e há cerca de 20 anos sou seu decano. Uma reflexão um tanto melancólica, pois todos que estavam comigo nesse momento já se foram.
Acreditem, nunca sonhei em ser Presidente da República; meu lugar na Academia pertence ao escritor e não ao político. Hoje, com um coração rejuvenescido pelo lançamento dos meus novos livros, sinto-me profundamente grato pela homenagem da Academia. Esta não é uma celebração apenas do meu destino, mas da minha profunda vocação: a literatura.