Mãe denuncia negligência médica após morte de recém-nascida no Piauí
Compartilhar notícia
No Piauí, o Ministério Público (MPPI) investiga a morte de uma recém-nascida, que ocorreu logo após o nascimento em 3 de janeiro, no Hospital Regional Justino Luz. A mãe da criança alega que o óbito foi resultado de negligência médica.
A apuração se concentra sobre a atuação da médica do parto, que, segundo o MPPI, não havia completado a residência e não permaneceu na sala durante o procedimento. O caso ganhou notoriedade após a mãe relatar que estava no final da gestação, sem complicações, e foi internada após o rompimento da bolsa.
No relato, após a troca de plantão, a médica responsável assumiu o atendimento. Apesar de intensa dor e sugestões de uma cesariana feitas pela mãe e outros profissionais, o pedido foi ignorado. A recém-nascida nasceu em estado grave e faleceu minutos depois. A médica, segundo a denúncia, retornou apenas para realizar a sutura da mãe e não teve mais contato.
Além disso, a jovem mãe denunciou que na manhã seguinte solicitou avaliação médica para a alta, mas foi informada de que isso só ocorreria à tarde. A liberação, segundo ela, só foi possível após a intervenção de uma assistente social devido à negativa inicial da médica.
A denúncia ainda aponta discrepâncias entre horários no prontuário médico e possíveis omissões na documentação. A família questiona a legalidade da atuação da médica, afirmando que ela estava em formação e não tinha registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) no dia do parto.
A resposta do hospital
Em nota, a direção do hospital argumentou que a decisão sobre a via de parto é uma responsabilidade médica direta e que a paciente foi admitida sob condições normais. A instituição defendeu que a condução do parto vaginal segue diretrizes estabelecidas.
“A manutenção da condução do parto por via vaginal era a conduta recomendada pelas diretrizes nacionais e internacionais vigentes.”
O hospital também ressaltou que a médica estava disponível e apta, conforme a legislação, para conduzir o parto. O CRM, em contrapartida, informou que uma sindicância foi aberta para investigar o caso.
Entretanto, a mãe criticou a imparcialidade da investigação hospitalar, apontando que o vínculo entre o diretor técnico da unidade e o marido da médica poderia comprometer a apuração.
Denúncia contra delegado
A jovem também reportou à polícia que, mesmo após registrar o boletim de ocorrência, não houve avanço nas investigações por mais de três meses. Ela alegou que o delegado responsável é irmão da médica, levando a família a solicitar uma nova autoridade para conduzir o caso e comunicar a situação à Corregedoria da Polícia Civil.
Este caso levanta questões sobre a ética e a responsabilidade no atendimento obstétrico, deixando a sociedade alerta e ansiosa por respostas. O que pensa sobre essa situação? Sua opinião pode contribuir para dispor melhores práticas nas instituições de saúde.