A crescente presença de Trump ameaçando saúde e segurança pública

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Bolsonaro e a Questão da Soberania: A Dependência da Política Externa

O governo Bolsonaro tem priorizado uma relação próxima com os Estados Unidos, superando questões fundamentais como saúde, educação e segurança. A ênfase no líder americano Donald Trump parece cada vez mais desproporcional, enquanto a política interna do Brasil sofre com a falta de atenção a temas cruciais.

Flávio Bolsonaro, em sua incessante crítica a Lula e o petismo, não perde a oportunidade de falar sobre Trump, ignorando a complexidade das questões brasileiras. O mais recente erro dessa estratégia foi acentuado pela estadia do irmão Eduardo nos EUA, onde uma série de decisões controversas, como tarifas e sanções, veio à tona. A resistência à autonomia do Brasil expõe um governo que prioriza alianças externas em detrimento da soberania nacional.

Historicamente, a administração de Jair Bolsonaro se alinhou a uma política externa que defendia o nacionalismo e a independência do Brasil. Durante seu governo, houve um forte comprometimento com a política dos EUA, especialmente em temas delicados como meio ambiente e relações com a China. O ex-chanceler Ernesto Araújo se afastou da tradição diplomática brasileira, enquanto figuras como Sergio Moro e Deltan Dallagnol incluíram a colaboração com autoridades americanas nas investigações da operação Lava Jato.

Curiosamente, o bolsonarismo se afastou do papel histórico do Brasil na defesa da democracia. Em vez de reportar violações de direitos humanos, o foco se mudou para denunciar opositores locais, buscando apoio dos republicanos nos EUA para corroborar que o Brasil não é mais uma democracia. Essa é uma abordagem irônica, considerando a importância histórica do Brasil na luta pela democracia mundial.

Esse cenário representa um retrocesso à política externa dependente do passado, especialmente lembrada pelo golpe de 64 e a ditadura militar. Alguns setores da sociedade brasileira, inclusive militares, anseiam por uma aproximação com o conservadorismo americano, usando o anticomunismo como justificativa. Nesse contexto, a prioridade atribuída aos Estados Unidos como aliado político mostra-se cada vez mais desatualizada, principalmente com a mudança nas dinâmicas globais e as parcerias com países como a China.

O problema central reside na constituição. O artigo 4º afirma que as relações internacionais do Brasil devem ser pautadas pela independência e pela não-intervenção. Isso significa que os conflitos internos devem ser tratados pelo sistema democrático, sem interferências externas. Contudo, ideais ultraconservadores têm desafiante essa norma, pondo em risco a autonomia do país.

Assim, a retórica de “Brasil acima de tudo” parece incoerente. A crença da família Bolsonaro em uma entidade superior que justifique suas ações levanta questionamentos sobre os reais interesses do governo em preservar a democracia e a soberania nacional.

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