Um retrato preocupante da desigualdade salarial no Brasil emerge dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), revelando que os trabalhadores negros, autodeclarados como pretos ou pardos, enfrentam disparidades salariais em todas as 87 categorias de atividade econômica do país. Em verdade, em seis setores, a remuneração média dos negros não atinge a metade da ganância dos brancos.
Essa pesquisa, realizada pela Fiquem Sabendo, utiliza microdados do RAIS para trazer à luz esses números alarmantes, relativos ao dia 31 de dezembro de 2024, e divulgados recentemente. A situação se torna ainda mais crítica quando observamos, por exemplo, o setor de fabricação de produtos de fumo: aqui, os trabalhadores negros recebem em média apenas 41% do salário de seus colegas brancos, que ganham R$ 6,5 mil, enquanto os negros não passam de R$ 2,4 mil por mês.
Embora a pesquisa não tenha comparado salários de profissionais com a mesma função, os dados expõem uma realidade clara: independente da atividade econômica, é evidente que os brancos ocupam posições com salários significativamente melhores. No setor de biocombustíveis, por exemplo, apesar dos negros representarem 58% da força de trabalho, a média de seus salários é menos da metade do que os brancos recebem. No transporte aéreo, a discrepância é ainda mais chocante; os brancos ganham quase R$ 11 mil, enquanto os negros ficam com R$ 5,5 mil, e aqueles que se identificam apenas como pretos ganham apenas R$ 4,9 mil.
A abrangência da pesquisa foi vasta, analisando 251 grupos de atividades econômicas, e os resultados mostram as 10 maiores discrepâncias salariais. No topo da lista, encontramos o processamento industrial do fumo, onde os brancos recebem 332% a mais que os negros, seguidos por setores como pesquisas de mercado e transporte aéreo, onde as diferenças chegam a 196%.
Surpreendentemente, existem dois grupos onde a situação se inverte, com os negros recebendo mais: na fabricação de equipamentos de transporte, onde os salários dos negros alcançam 108% do salário dos brancos, e na gestão de recursos humanos, onde a diferença é ínfima, apenas R$ 56. Contudo, em todos os outros grupos, é difícil não notar que os trabalhadores brancos mantêm salários superiores.
As menores diferenças salariais foram observadas em atividades como paisagismo e demolição, mas mesmo assim, as variações giram em torno de apenas 101% a 109% em relação aos salários brancos. A realidade é dura: um ciclo vicioso perpetuado pelas desigualdades que ainda existem no mercado de trabalho.
Esses dados são um chamado à reflexão. O que mais é necessário ser feito para garantir a equidade salarial? Como podemos unir forças para promover um ambiente mais justo? Compartilhe seus pensamentos e experiências nos comentários abaixo, pois cada voz conta nessa luta por igualdade.