
Após 160 dias do primeiro desabamento no aterro sanitário Ouro Verde, localizado em Padre Bernardo (GO), os moradores enfrentam uma nova tragédia. O que era um alerta passou a se tornar uma realidade alarmante: um terceiro deslizamento de resíduos em menos de 15 dias, desta vez atingindo o córrego de Santa Bárbara, trouxe de volta o receio e a angústia de uma comunidade já cansada de esperar por providências.
Cerca de 20 mil pessoas em Monte Alto, região afetada, observam com desespero a deterioração da qualidade da água do córrego, que já estava suspensa para consumo desde o primeiro incidente em junho. A possibilidade de utilizar a água para irrigação ou mesmo consumo humano se tornou um pesadelo à vista, e a indignação dos moradores cresce a cada dia.
Imagens captadas por moradores próximos mostram a água com coloração viscosa, repleta de detritos, refletindo a gravidade da situação. Uma moradora, que preferiu manter sua identidade em segredo, descreve a sensação de abandono que permeia a comunidade. “É uma tragédia anunciada. Estamos ao léu, sem que ninguém faça nada”, desabafa, expressando a frustração acumulada ao longo dos anos.
Joana Santana, de 75 anos, não consegue mais dormir em paz. O cheiro insuportável voltou a invadir sua casa, e sua saúde foi seriamente prejudicada. “Cada dia que passa é mais difícil. Estou tomando seis comprimidos por conta do mau cheiro”, comenta, visivelmente abatida. O desespero de Joana é o eco da tristeza de muitos naquela comunidade.
Volume alarmante de lixo
Desde o segundo deslizamento, em 12 de novembro, a situação apenas piorou. O novo deslizamento bloqueou parcialmente o leito do córrego, e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad-GO) estima que o volume envolvido é superior a 3 mil toneladas de resíduos. A empresa responsável, Ouro Verde, atribui o acidente às chuvas, mas isso não convence os moradores, que já apresentaram diversas queixas ao longo dos anos e agora veem suas vozes ecoarem em meio a um mar de lixo.
Imagens divulgadas por moradores mostram o córrego coberto de resíduos, incluindo sacolas, lixo doméstico e até seringas, alimentando o desespero da população. Apesar da Ouro Verde afirmar que o monitoramento da qualidade da água está em andamento, detalhes sobre o estado atual continuam obscuros.
É crucial destacar que, embora o córrego não abasteça diretamente o Rio Descoberto, que fornece água ao Distrito Federal, ele integra uma bacia que pode afetar a usina hidrelétrica Serra da Mesa, levantando preocupações sobre um possível deslocamento de resíduos. Recentemente, o Ministério Público de Goiás (MPGO) foi notificado e aguarda relatórios técnicos para avaliar os impactos e tomar as devidas providências.
A empresa Ouro Verde promete ações de estabilização no local, como instalação de tubulações para drenagem de gás e chorume, além de intervenções para garantir a segurança estrutural. No entanto, a credibilidade dessas promessas permanece em xeque para aqueles que, dia após dia, enfrentam a insegurança e os riscos à saúde em um cenário que deveria ser seguro.
O que resta à comunidade é uma esperança moldada pela luta e a urgência de ser ouvida. É hora de transformarmos essa história em ação. Compartilhe sua opinião sobre a situação no aterro Ouro Verde e ajude a dar voz aos que clamam por mudança. Sua participação pode ser a chave para trazer à tona a atenção que esta questão tão séria merece.