A candidatura de Pablo Marçal (PRTB) à Prefeitura de São Paulo em 2024 gera um novo paradigma na forma como a política é apresentada nas redes sociais. Utilizando um método inovador que recicla conteúdos através de vídeos virais, Marçal não só atrai atenção, como impulsiona um mercado crescente de ferramentas digitais para a criação e disseminação desse tipo de material.
Hoje, assistimos a uma explosão de empresas que oferecem soluções para a produção de vídeos virais, criando perfis e organizando competições em que “clipadores” recebem prêmios de acordo com o desempenho de seus conteúdos. Este ecossistema é nutrido principalmente por entrevistas de podcasts e debates, capazes de gerar engajamento intenso.
Embora o foco principal esteja em entretenimento e influenciadores, o cenário político não fica de fora. A afirmação de um usuário em uma comunidade no Discord — “Política é o que mais gera views e engaja” — reflete a estratégia que muitos estão adotando. Entretanto, há receios entre os clipadores, que se perguntam se suas ações podem resultar em punições das plataformas, especialmente quando o conteúdo é monetizado.
Para evitar complicações legais, algumas empresas optam por se distanciar do setor político, enfatizando que seus serviços não atendem a candidatos. Contudo, a mecânica por trás da criação de cortes se profissionaliza constantemente. Um exemplo é a Core Lab, que organiza competições em que os clipadores registram seus vídeos, disputando prêmios baseados em metrics como views e likes.
Além da Core Lab, a ClipfyAI se destaca com uma inteligência artificial que viraliza conteúdos, gerenciando automaticamente contas para maximizar a distribuição. Com prêmios que podem chegar a R$ 50 mil, essa plataforma promete transformar a vida de clipadores, oferecendo a eles a oportunidade de faturar até R$ 10 mil por mês apenas publicando vídeos sobre figuras públicas.
O empresário Daniel Antunes, da ClipfyAI, destaca que a proposta é simples: “Você não precisa investir, apenas postar vídeos diariamente em várias redes sociais e acompanhar seus resultados”. Apesar de sua proposta atraente, surgem questões éticas e legais sobre a relação entre clipadores e a política, especialmente em um estado que já puniu Marçal por práticas irregulares durante suas campanhas.
A situação é delicada. Com a crescente monetização da produção de conteúdo político, os especialistas em direito eleitoral alertam sobre os riscos. Fernando Neisser, professor da FGV, argumenta que quaisquer prêmios ou incentivos financeiros para a promoção de candidatos podem ser considerados uma violação das legislações, mesmo que não haja um envolvimento direto.
Se o passado recente já é um aviso para o futuro, as incertezas sobre as regras que regem o uso das redes sociais em campanhas eleitorais só aumentam. Enquanto os clipadores buscam maximizar suas oportunidades, surge um dilema sobre a legalidade e a ética desse novo formato de campanha. A interseção entre tecnologia e política continuará sendo um campo minado, repleto de potenciais armadilhas.
Por isso, queremos saber sua opinião: você acredita que essa nova forma de engajamento político é benéfica ou prejudicial? Compartilhe suas ideias e venha participar dessa reflexão!