Ministério Público investiga denúncias de intolerância religiosa de professor em BH
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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deu início a uma investigação sobre denúncias de intolerância religiosa feitas pelo professor de inglês Ossama Abdulláh da Silva Souza de Medeiros, de 29 anos. Ele alega ter sido demitido de um colégio particular em Belo Horizonte devido à sua religião muçulmana e à sua descendência palestina.
Ossama relata que, em uma reunião no dia 13 de abril, coordenação do colégio justificou sua demissão com a alegação de que “o país de onde você veio, sua raça ou origem não condizem com os princípios da escola”. Ele recebeu um telegrama formalizando sua demissão no dia seguinte.

O professor trabalhava no Colégio Pégaso, na unidade Kennedy, em Venda Nova, e afirma que a discriminação começou em fevereiro, quando foi orientado a não usar roupas pretas, associadas à sua fé islâmica. Para Ossama, essa vestimenta é parte de uma tradição cultural arraigada em diversas nações árabes.
“Essa vestimenta, como a abaya ou o niqab, simboliza uma tradição cultural e religiosa importante em várias regiões do mundo árabe, e a cor preta é vista como um símbolo de respeito e sobriedade em muitos países do Golfo”, relatou ao Metrópoles.
Procurado para comentar as alegações, o Colégio Pégaso não se manifestou até o fechamento desta edição, mas diz que o espaço permanece aberto para a instituição apresentar sua versão.
Episódios de Preconceito
Ossama lecionava para alunos do 8º ano ao 3º ano do ensino médio e reconheceu que as discussões sobre religião surgiram pela curiosidade dos estudantes. Entretanto, a curiosidade se transformou em hostilidade, e ele passou a ser chamado de “terrorista” e comparado a “Osama Bin Laden”.
Em uma ocasião, um aluno o cumprimentou com “Aleikum salame”, uma saudação árabe, mas de forma debochada, sem que alguém interviesse.
Diante dos crescentes casos de discriminação, Ossama optou por buscar proteção na justiça e deseja que sua história chame a atenção para a necessidade de enfrentar a intolerância religiosa e fomentar o respeito às diferenças culturais.