Em setembro de 1987, Goiânia se tornou cenário do maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear. Tudo começou com o abandono de um aparelho de radioterapia em uma clínica desativada no Centro da cidade. A negligência desencadeou um rastro de contaminação por diversos bairros.
A partir dali, o material radioativo percorreu ferro-velhos, casas e espaços públicos, deixando marcas físicas e simbólicas que, mesmo quase quatro décadas depois, ainda fazem parte da memória urbana da capital goiana. A história da tragédia é contada na série especial do Metrópoles “Memórias radioativas”.
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A seguir, veja o antes e depois dos principais locais ligados ao acidente com o Césio-137.
Veja mapa de locais:
Antigo Instituto Goiano de Radioterapia – clínica abandonada
Avenida Paranaíba, Centro, Goiânia (GO)
O prédio abrigava uma clínica de radioterapia em funcionamento até 1985. Após a desativação, o local foi parcialmente demolido e abandonado, mas o aparelho contendo Césio-137 permaneceu em seu interior.
Com o acidente, o imóvel foi totalmente demolido e o terreno passou por um rigoroso processo de descontaminação, não restando hoje vestígios visíveis da antiga estrutura. Atualmente, o espaço abriga o Centro de Convenções de Goiânia.

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Instalações da clínica de onde foi retirada a cápsula do Césio 137, em Goiânia
Cnen
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Terreno onde funcionava a clínica de radioterapia de onde foi retirada a cápsula de Césio-137 que deu origem ao acidente radiológico em Goiânia, em 1987. Anos depois, o espaço foi reocupado e hoje abriga o Centro de Cultura e Convenções de Goiânia
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Ferro-velho de Devair Ferreira
Rua 26-A – Quadra Z, Lote 30 – Setor Aeroporto – Goiânia (GO)
Antes, o local funcionava como um depósito comum de sucata, para onde os catadores levaram partes do equipamento retirado da clínica, atraídos pelo valor do chumbo.
Depois, tornou-se um dos pontos mais contaminados do acidente: foi ali que a cápsula foi aberta, liberando o pó que emitia um brilho azul radioativo. A área precisou ser isolada, demolida e teve o solo removido. Atualmente, apesar de descontaminado e sem sinais aparentes do ocorrido, o espaço permanece abandonado e construções no local seguem proibidas.

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Ferro-velho onde teve início o acidente radiológico de Goiânia com Césio-137, após a chegada do aparelho de radioterapia que continha o material radioativo
Arquivo/Cnen
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Imagem aérea do terreno onde funcionava o ferro-velho de Devair Alves Ferreira, que se tornou palco do acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia, em 1987. Hoje, o local está abandonado
Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto
Casa do catador Roberto Santos Alves (primeiro local de contaminação)
Rua 57-A, nº 68 – Setor Central – Goiânia (GO)
Antes, tratava-se de uma residência simples, para onde os catadores levaram parte do equipamento a fim de realizar a desmontagem inicial. Depois, assim como outras casas contaminadas, o imóvel foi demolido, e o solo, os móveis e os objetos foram removidos como rejeito radioativo.
O terreno passou por um processo profundo de descontaminação – procedimento adotado em diversos pontos atingidos pela radiação. Atualmente, o espaço permanece abandonado e, até hoje, construções no local são proibidas.

Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira (triagem das vítimas)
Rua 74 com Avenida Paranaíba – Setor Central – Goiânia (GO)
Antes, era a principal praça esportiva da cidade. Depois, foi usado pelo governo como centro de triagem e atendimento após a descoberta da contaminação. Cerca de 112 mil pessoas passaram por exames de radiação ali. Serviu para identificar quem havia sido contaminado pelo Césio-137. Hoje, segue como espaço esportivo, mas é lembrado como ponto-chave da resposta emergencial.
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Vista aérea atual do Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, que foi usado como centro de triagem e medição de radiação durante o acidente radiológico com Césio-137, em Goiânia, em 1987
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Estádio Olímpico foi utilizado como ponto de triagem durante a tragédia do Césio-137 em Goiânia
Cnen
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Milhares de pessoas precisaram medir seus níveis de radioatividade
Reprodução/ Livro Césio 137 – 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
Outros locais marcados pela tragédia
Cemitério Municipal Parque
R. São Domingos, 352-382 – St. Gentil Meireles, Goiânia – GO
Após o acidente, as vítimas foram enterradas em caixões de chumbo, sob forte comoção e medo da população. O local se tornou símbolo do impacto social e do estigma causado pela radiação.

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Túmulos de vítimas do acidente radiológico com Césio-137, que marcou Goiânia em 1987
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Túmulos das quatro vítimas do acidente radiológico com Césio-137 permanecem próximos entre si, em área separada das demais sepulturas do cemitério
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Túmulo de Maria Gabriela Ferreira
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Túmulo de Israel Batista
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Túmulo de Admilson Alves
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Túmulo de Leide das Neves
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Vigilância Sanitária
Rua 16-A, nº 792 – Setor Aeroporto – Goiânia (GO)
Foi para lá que a cápsula foi levada, permitindo a descoberta do acidente. A partir desse momento, iniciou-se a operação de contenção e isolamento das áreas contaminadas.

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Sacola usada para transportar a cápsula contendo Césio-137 até a Vigilância Sanitária
Arquivo/Cnen
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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Aterro de rejeitos radioativos
BR-060, KM 174 – Abadia de Goiás (GO)
Todo o material contaminado – incluindo casas demolidas, solo e objetos – foi levado para um depósito definitivo. O local permanece sob monitoramento até hoje.
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Área onde permanecem armazenados os rejeitos do acidente radiológico com Césio-137, no Parque Estadual Telma Ortegal, em Abadia de Goiás, dentro do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste
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Área onde permanecem armazenados os rejeitos do acidente radiológico com Césio-137, em Abadia de Goiás
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Área onde permanecem armazenados os rejeitos do acidente radiológico com Césio-137, em Abadia de Goiás
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