A venda de honorários por parte do Escritório Ibaneis Advocacia e Consultoria gerou uma movimentação impressionante, totalizando R$ 73,8 milhões entre 2008 e 2024. As transações, que envolvem crédits de precatórios, levantam questões sobre a ética e legalidade dos negócios em um cenário onde o advogado é também um político ativo.
Contratos e Valores Envolvidos
O escritório, fundado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, vendeu honorários que somam R$ 155 milhões com deságio, ou seja, um desconto no valor original para antecipar recebimentos. Destes, aproximadamente R$ 81 milhões foram comercializados a fundos que estão sob investigação. Uma prática recorrente foi a representação de associações de servidores, o que suscitou conflitos de interesse notáveis, já que Ibaneis suspendeu sua carteira da OAB em 2019 ao assumir o governo.
Por meio desses contratos, o escritório captou R$ 5,9 milhões de um fundo administrado pelo BTG Pactual em 2022, referente a honorários da Associação Nacional dos Servidores do Judiciário Federal (Anajustra). Este exemplo ressalta os significativos lucros obtidos com as transações, ainda mais considerando que, em outros casos, a banca já havia recebido valores consideráveis negociados com fundos em 2019 e 2018.
Legalidade Questionável
Em meio a esse turbilhão, o Coaf identificou pagamentos com grandes valores também para fundos ligados a administradoras que foram liquidadas pelo Banco Central. O escritório se defende argumentando que as vendas são negócios jurídicos regulares no mercado. Contudo, a dúvida sobre se essas operações são éticas ou apenas uma forma de acelerar o recebimento de valores devidos pela União permanece.
A justificativa do escritório destaca que sua atuação sempre foi pautada na representação de servidores públicos e na defesa de seus direitos, admitindo a prática de vender créditos como uma alternativa para mitigar a morosidade nos pagamentos judiciais. No entanto, críticos apontam que o entrelaçamento entre interesses privados e públicos pode comprometer a integridade das ações judiciais.
O escritório afirmou ainda que todas as transações foram feitas com regularidade, com contratos de cessão de crédito e supervisão dos órgãos competentes, o que levanta a questão: até que ponto essas práticas se sustentam em uma legislação que garante direitos e deveres iguais aos advogados e à sociedade?

A narrativa em torno da atuação do escritório de Ibaneis é um reflexo do que acontece quando interesses financeiros e políticos se cruzam. Agora, a sociedade aguarda posicionamentos mais claros, à medida que a investigação avança. A questão é: como garantir que a justiça não se torne mais uma moeda de troca neste jogo?