SERGIO LIMA / AFP
Senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro
O pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, repostou em sua rede social X a publicação do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em que classifica o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como Organizações Terroristas Estrangeiras e Terroristas Globais Especialmente Designados, comemorando a decisão: “Grande dia 👍”. A publicação de Rubio define que as facções PCC e CV passam a receber a classificação de terrorista pelos Estados Unidos a partir do dia cinco de junho.
Grande dia 👍 https://t.co/XxzokXNzxV
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) May 28, 2026
Em um vídeo divulgado posteriormente, Flávio falou mais sobre a decisão e mandou um recado para o povo brasileiro. “Em uma viagem aos EUA fizemos mais pelo Brasil e segurança do brasileiro que o PT e Lula. Enquanto Lula foi de joelhos fazer lobby, eu fui trabalhar”, disse e acrescentou que um governo que não tem controle sobre o seu próprio território é porque é conivente.
“Agradeço a Trump e Rubi por atenderem rapidamente o meu pedido em nome do povo brasileiro, agora é com a gente aqui no Brasil e, em 2027, vamos libertar você, porque você merece ser livre desse governo”, disse Flávio.
Flávio na Casa Branca O senador esteve nos EUA, reunindo-se com o presidente americano Donald Trump na terça-feira (26), e disse que fez diretamente a Trump a solicitação de que CV e PCC recebessem a classificação como terrorista pelo governo americano. O encontro aconteceu em momento em que o nome de Flávio cai nas pesquisas de intenção de voto contra Luis Inácio Lula da Silva (PT), após a divulgação pelo site The Intercept Brasil de conversas realizadas entre o filho do ex-presidente e o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
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Flávio também reuniu-se com Rubio nesta quarta-feira (27), juntamente com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, e seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Após o encontro, o filho do ex-presidente afirmou a jornalistas que o principal tema da conversa foi a classificação das facções como terroristas, proposta que teria sido bem recebida por Rubio, o que foi confirmado com a declaração do secretário de Estado.
O comunicado, assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio nesta quinta-feira (28), ocorreu poucas horas depois do encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e representantes ligados ao governo americano em Washington. Nos bastidores, a reunião reforçou discussões sobre crime organizado, narcotráfico e segurança regional, temas que já vinham ganhando força dentro da estratégia internacional dos Estados Unidos para a América Latina.
Donald Trump já havia sinalizado em março que enquadraria as facções como organizações terroristas internacionais, durante a Cúpula Escudo das Américas. O governo brasileiro se declarou contra a classificação por temer operações dos Estados Unidos no Brasil. Em sessão da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, em 18 de março, Mauro Vieira disse que as facções são organizações criminosas por “se aproveitarem para extorquir e obter ganhos financeiros”. Diferente de um grupo terrorista que, segundo o chanceler, “tem algum tipo de inspiração política, o que não é o caso” das quadrilhas.
O que muda? Antes da oficialização da classificação, João Amorim, professor de direito internacional da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), avaliou que o “procedimento” contra as facções brasileiras “é compatível com a postura do governo Trump”. À Jovem Pan, ele disse que o republicano tem utilizado o argumento de combate ao tráfico de drogas para “justificar bombardeios e ataques militares a instalações, embarcações e territórios de outros países”. O especialista adicionou fazer parte do “histórico” dos governos norte-americanos em “classificarem pessoas e organizações como tal, mesmo sem qualquer tipo de respaldo probatório”.
“Basta lembrar que Nelson Mandela foi considerado terrorista e integrou a lista de pessoas e organizações terroristas do Departamento de Estado dos Estados Unidos até 2008”, afirmou Amorim.
O professor de relações internacionais da Universidade de São Paulo (USP) Leandro Piquet, relatou que o governo dos Estados Unidos muda a forma de investigar as organizações enquadradas como terroristas. A liderança das apurações é transferida para o Departamento de Defesa, que passa a confiscar bens de forma mais rápida, recebe mais recursos para as ações e as medidas contra os suspeitos são mais duras e há “menos controle institucional”.
De acordo com o especialista, as represálias incluem bloqueio de bens em território norte-americano e de comércio, congelamento de ativos no sistema financeiro dos Estados Unidos e de auxílio financeiro ou cooperação em áreas estratégicas, além de cancelamento de vistos. Há também a possibilidade de ataques militares contra alvos das organizações.
O professor da Unifesp afirmou que o país com grupos enquadrados como terroristas passa a ser “alvo de ações e pressões voltadas à desestabilização de suas estruturas governamentais”. “É preciso esclarecer que, ainda que isto esteja previsto na legislação dos Estados Unidos, a concretização desses atos, principalmente os de natureza militar, caracteriza uma violação da soberania da nação atacada”, ressaltou Amorim.
João Amorim ainda declarou que uma eventual classificação do PCC e do CV, além de “complicar” as relações entre Brasil e Estados Unidos, pode ser “lida” como uma “interferência em assuntos internos”. Com isso, resultaria em uma visão externa de “falência da segurança pública brasileira” e ainda “adicionaria elementos ao cenário eleitoral”.