Hepatites B e C: o perigo das doenças que só dão sinais em estágios avançados

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Mais de 644 mil brasileiros foram diagnosticados com hepatites B e C nas últimas duas décadas; especialista da Clínica SiM alerta para a importância da testagem

As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil. Muitas vezes silenciosas, especialmente nos casos das hepatites B e C, essas doenças podem permanecer anos sem apresentar sintomas, enquanto provocam danos progressivos ao fígado. Quando descobertas tardiamente, podem evoluir para complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2000 e 2024, o Brasil registrou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais. Desse total, cerca de 302 mil foram de hepatite B e mais de 342 mil de hepatite C, os dois tipos mais associados às formas crônicas da doença.

O impacto também aparece nos indicadores de mortalidade. Em 2022, foram registrados 1.316 óbitos relacionados às hepatites virais no país. A hepatite C respondeu por 917 dessas mortes, enquanto a hepatite B foi responsável por 343. Grande parte desses casos está associada justamente ao diagnóstico tardio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 304 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelos vírus das hepatites B ou C em todo o mundo. A doença provoca aproximadamente 1,3 milhão de mortes anuais, principalmente por cirrose e câncer hepático.

De acordo com Kátia Fernandes, gastroenterologista da Clínica SIM, o maior perigo está justamente na ausência de sintomas nas fases iniciais. “As hepatites B e C são consideradas doenças silenciosas porque, na maioria dos casos, não causam nenhum sintoma durante muitos anos. O paciente pode se sentir perfeitamente saudável enquanto o fígado sofre uma inflamação crônica. Muitas vezes, o diagnóstico acontece apenas quando já existem sinais de cirrose ou até mesmo de câncer hepático”, explica.

A especialista ressalta que sinais como cansaço excessivo, desconforto abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e perda de peso costumam surgir apenas em estágios mais avançados da doença.

“Por isso, a realização dos testes é fundamental. Hoje existem exames rápidos, seguros e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as chances de controle da hepatite B e de cura da hepatite C, evitando complicações graves no futuro”, afirma a médica da Clínica SiM.

Como ocorre a transmissão?
A hepatite B pode ser transmitida por relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos perfurocortantes contaminados, contato com sangue infectado e de mãe para filho durante a gestação ou o parto. Já a hepatite C é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado.

A prevenção inclui a vacinação contra a hepatite B, uso de preservativos, não compartilhamento de objetos pessoais como lâminas, alicates e seringas, além da realização periódica de exames, especialmente para pessoas com fatores de risco.

Diagnóstico precoce salva vidas
Durante o Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, especialistas reforçam que um simples teste pode fazer toda a diferença. “Temos ferramentas eficazes para prevenir, diagnosticar e tratar essas doenças. O grande desafio ainda é fazer com que as pessoas procurem os serviços de saúde antes do aparecimento dos sintomas. Nas hepatites virais, descobrir cedo significa proteger o fígado e preservar a qualidade de vida”, conclui a médica.

A testagem para hepatites virais pode ser realizada por meio de exames laboratoriais e testes rápidos, indicados principalmente para adultos que nunca fizeram investigação prévia da doença, pessoas com histórico de exposição a fatores de risco e indivíduos acima de 40 anos que nunca foram testados.

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