Isenções de tarifas atenuam efeitos no mercado, mas é preciso ficar atento: o que observar a seguir?

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Na última segunda-feira, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou a implementação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, afetando diversos segmentos a partir de 22 de julho. Apesar da preocupação com os efeitos na inflação e na atividade econômica, analistas acreditam que a oferta de isenções para produtos chave, como petróleo, café e carne bovina, atenuará o impacto econômico da medida.

A decisão foi recebida com certa expectativa pelo mercado, já que muitos dos produtos mais importantes para as exportações brasileiras ficaram isentos da nova tarifa. De acordo com a XP, essa exclusão vai limitar o efeito macroeconômico da carga tributária. Além disso, a Ágora Investimentos e o Bradesco BBI também sinalizaram que as consequências sobre as commodities e a volatilidade dos ativos de risco podem ser mitigadas pela lista de isenções, que inclui mais de 2.100 itens.

Contudo, alguns setores, como etanol e calçados, permanecerão sob pressão. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, destacou que a reação do mercado foi moderada, sugerindo que os investidores estavam preparados para a medida. O foco agora se volta para o futuro das negociações entre Brasil e Estados Unidos, onde indústrias ligadas à siderurgia e metalurgia podem enfrentar maiores desafios, enquanto bancos e empresas voltadas ao mercado doméstico podem sofrer menos.

André Matos, CEO da MA7 Negócios, enfatizou que o impacto real dependerá mais da extensão das isenções do que da taxa de 25% em si. Os produtos que escaparam da nova tarifa, como carne e aeronaves, representam uma parte significativa das exportações brasileiras para os EUA. Cassio Viana de Jesus, da Pilar Capital, estima que o efeito geral na economia deve ser modesto, podendo causar perdas limitadas ao PIB.

Entretanto, o maior risco pode ocorrer se a balança comercial se enfraquecer, levando a um fortalecimento do dólar e pressões inflacionárias internas. Marcelo Bassani, economista da Boa Brasil Capital, ressaltou a necessidade de cautela caso o Brasil também aumente tarifas sobre produtos americanos, pois isso poderia impactar negativamente a inflação local e a taxa Selic.

O mercado de câmbio também é um ponto de atenção, especialmente com dados recentes de inflação nos EUA que indicaram uma possível pausa nos aumentos de juros americanos. Contudo, a instabilidade geopolítica gera incertezas, incluindo a relação entre os EUA e o Irã. Bruno Corano, economista da Corano Capital, comentou que a decisão das tarifas resgata questões políticas além das econômicas, uma vez que os Estados Unidos têm um superávit comercial com o Brasil.

Organizações do setor manifestaram preocupação com as novas tarifas, que podem comprometer a competitividade brasileira. A Amcham Brasil alertou que a medida, que se inicia em julho, pode afetar gravemente as exportações do país, estimadas em mais de US$ 11 bilhões. Por outro lado, a Fiesp criticou a postura unilateral dos EUA, que prejudica as condições de competitividade do Brasil no mercado global.

Diante da nova realidade, o governo brasileiro já declarou sua intenção de proteger a economia nacional e diversificar suas parcerias comerciais para minimizar os impactos. Como a situação se desenrola, a discussão sobre as tarifas e o futuro das relações comerciais será crucial. O que você pensa sobre esse cenário? Deixe seu comentário!

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