O JPMorgan revisou suas projeções para a construção residencial no Brasil, elevando as recomendações para Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) a “overweight”, ou seja, de compra. Em contraste, MRV (MRVE3) teve sua recomendação rebaixada para neutra. As ações da Direcional subiram 4,47%, fechando a R$ 12,85, e as da Cury avançaram 4,17%, a R$ 30,20. Mesmo com o rebaixamento, a MRV registrou uma leve alta de 0,56%, atingindo R$ 5,37.
O banco também cortou em média 11% os preços-alvo para dezembro de 2026, refletindo um aumento no custo de capital e revisões negativas nas estimativas de lucro de algumas construtoras. A preferência do JPMorgan se mantém em incorporadoras focadas no segmento de baixa renda, como Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), especialmente em um cenário de juros elevados. Os múltiplos de preço sobre lucro projetados ficam em torno de 6,5 vezes para 2026 e 5,5 vezes para 2027.
Cury (CURY3)
A recomendação para Cury subiu para overweight, com um preço-alvo fixado em R$ 43,50, sinalizando um potencial de valorização de cerca de 50% até dezembro de 2026. O valuation das ações é considerado atrativo, com negociações a 7,2 vezes o lucro projetado para 2026, e a empresa apresenta um dividend yield esperado de 9% para este ano. A Cury também se destaca pelo maior retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) entre as incorporadoras analisadas, com um impressionante ROE de 82% previsto para 2026.
Direcional (DIRR3)
A Direcional foi elevada para overweight com um potencial de valorização de cerca de 55%. O JPMorgan a considera sua segunda favorita no setor, respaldada pela valorização do banco de terrenos em Belo Horizonte e uma parceria com a MDNE para desenvolver projetos habitacionais de baixa renda no Nordeste. Essas iniciativas podem adicionar aproximadamente R$ 1 bilhão anuais em Valor Geral de Vendas (PSV).
Tenda (TEND3)
Como a principal recomendação do JPMorgan, a Tenda mantém um preço-alvo de R$ 48,50, apresentando um potencial de valorização acima de 60% até dezembro de 2026. A empresa mostrou uma recuperação consistente com lucro líquido anualizado próximo de R$ 600 milhões no primeiro trimestre.
MRV (MRVE3)
A MRV teve sua recomendação rebaixada para neutra, com um preço-alvo de R$ 7, devido a uma significativa revisão nas projeções da subsidiária americana Resia, que pode registrar perdas adicionais. O banco reduziu em 70% sua projeção de lucro por ação para 2026. Apesar disso, a ação tem um dos menores múltiplos de lucro, negociando a apenas 4,1 vezes o lucro projetado para 2027.
Cyrela (CYRE3)
A Cyrela manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 29,50. Embora as ações sejam consideradas baratas e negociem abaixo do valor patrimonial, a falta de catalisadores de curto prazo e um cenário macroeconômico desafiador limitam o desempenho.
Eztec (EZTC3)
A Eztec também segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17. Apesar de um crescimento forte nos lançamentos, os altos juros devem continuar pressionando a demanda por imóveis de média e alta renda. Além disso, o banco aponta riscos associados ao alto estoque de imóveis prontos.
Quais são suas opiniões sobre essas mudanças no setor de construção? Vamos debater nos comentários!