JPMorgan aponta moedas preferidas na América Latina e exclui o real da lista de atrativos

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O JPMorgan apresenta uma análise otimista sobre as moedas latino-americanas para o segundo semestre, destacando o peso colombiano e reiterando a preferência pelo peso mexicano e peso chileno. No entanto, o banco adota uma postura neutra em relação ao real brasileiro, citando a crescente incerteza eleitoral como um fator de risco significativo e o já carregado posicionamento dos investidores nessa moeda.

De acordo com o relatório, o contexto global ainda favorece moedas de carry na região, mesmo sem uma queda acentuada do dólar. O crescimento consistente e o apetite por risco mantêm as moedas de maior juro real atrativas. Contudo, a escolha de investimentos em países específicos está cada vez mais influenciada por questões internas.

O real, segundo o JPMorgan, entra na segunda metade do ano com um desempenho menos atraente em comparação a seus pares. A instabilidade prevista nas eleições presidenciais do Brasil se tornou um elemento crucial, ofuscando os benefícios proporcionados pelos juros altos. O relatório observa que a volatilidade cambial pode aumentar à medida que se aproximam as eleições, colocando o risco local à frente da vantagem do carry.

Recentemente, o real perdeu 4,5% desde seu pico em maio, refletindo a má percepção em relação ao potencial de candidatura de Flávio Bolsonaro. Ao mesmo tempo, Luiz Inácio Lula da Silva continua com uma vantagem nas pesquisas, o que intensifica a incerteza sobre o futuro político e econômico do Brasil. Essa sensibilidade da moeda frente ao ciclo eleitoral tem mostrado que, em 2022, o real chegou a despencar 16% antes da vitória de Lula, mesmo com a Selic alta.

Outro ponto levantado é a posição técnica do real, que se encontra cerca de 1,5% a 2% acima do valor justo, juntamente com um posicionamento excessivamente otimista por parte dos investidores, o que pode aumentar o risco de uma correção se o ambiente se deteriorar.

Por conta disso, o JPMorgan mantém uma posição neutra em relação ao real. Suas projeções para o câmbio indicam que o dólar deve ser cotado a R$ 5,15 ao final do terceiro trimestre e subir para R$ 5,20 no quarto, desacelerando para os mesmos R$ 5,15 nos primeiros trimestres de 2027. Isso indica uma expectativa de estabilidade sem grandes flutuações iminentes.

O panorama econômico também justifica essa neutralidade. Embora a política monetária brasileira permaneça restritiva, espaço para novas alterações é limitado, com a Selic projetada para 13,75% no fim de 2026. O banco evidência que há menor possibilidade de reduções significativas nas taxas de juros, dependendo do desempenho contínuo da economia.

Outras moedas da América Latina estão em destaque, especialmente o peso colombiano, que foi promovido para uma posição overweight devido à sua resiliência e políticas governamentais ortodoxas. O peso mexicano se mantém entre as preferências do banco, apoiado por fundamentos robustos e um acordo comercial contínuo com os Estados Unidos.

Já o peso chileno é recomendado por suas perspectivas positivas em commodities, com o JPMorgan prevendo alta nos preços do cobre. A projeção é que o CLP ainda não tenha incorporado totalmente as melhorias nos termos de troca e poderia se beneficiar da redução de expectativas excessivamente otimistas para juros locais.

No geral, a mensagem do JPMorgan destaca que o tema de carry segue dinâmico na América Latina, mesmo diante de um dólar firme. A manutenção da volatilidade global sob controle será essencial para que as moedas emergentes de alto rendimento continuem atraentes. Assim, enquanto o real pode oferecer juros elevados, seu desempenho estará mais atrelado à política interna do que ao carry.

O que você acha dessas análises do JPMorgan? Tem alguma previsão sobre o futuro do real ou de outras moedas latinas? Compartilhe suas opiniões nos comentários!

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