Juros acessíveis atraem indústrias aos Fundos Constitucionais, mas burocracia ainda dificulta o acesso

Taxas de juros mais baixas têm sido o principal atrativo para indústrias que buscam recursos nos Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs). De acordo com uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 94% das empresas que procuraram esses fundos entre 2022 e 2025 apontaram o custo reduzido do crédito como a maior motivação para a adesão a essa política pública, que visa combater desigualdades regionais e impulsionar o desenvolvimento econômico.
Os FCFs estão divididos em três modalidades:
- Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO): voltado para projetos agropecuários, agroindustriais e de infraestrutura;
- Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE): orientado a investimentos em setores como agropecuário, industrial, turístico e infraestrutura;
- Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO): prioriza iniciativas de desenvolvimento sustentável, com foco em agronegócio e pesca.
Esses fundos representam 3% da arrecadação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados, sendo geridos por bancos como Banco do Brasil, Banco da Amazônia e Banco do Nordeste.
Conforme Julia Dias, analista da CNI, as taxas de juros são um dos principais obstáculos ao acesso a crédito no Brasil. “A pesquisa indica que essa política pública tem contribuído para mitigar esse problema”, ressalta.
“As taxas de juros costumam ser o maior entrave para a obtenção de crédito no país. A pesquisa mostra que a política pública tem conseguido sanar esse gargalo”, afirma.
Entretanto, ainda há desafios. Os juros cobrados das indústrias permanecem superiores aos impostos para o setor rural.
Prazo, carência e relacionamento com os bancos
Além das taxas mais baixas, 56% dos empresários destacaram os prazos de pagamento e de carência como critérios importantes, enquanto 24% mencionaram o relacionamento com o banco operador como um fator relevante na busca pelos recursos.
A pesquisa revelou que os financiamentos estão, em sua maioria, voltados para investimentos estruturantes. Metade das empresas (56%) utilizou o crédito para adquirir máquinas e equipamentos, 22% para construção ou ampliação de fábricas, e 18% para capital de giro.
Dos empresários que solicitou crédito, 52% obteve o valor completo, enquanto 32% receberam menos do que precisavam, e apenas 10% não conseguiram aprovação.
O levantamento foi realizado pela CNI, em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), e ouviu 147 indústrias das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e de Minas Gerais e Espírito Santo entre outubro de 2025 e janeiro de 2026.
Burocracia ainda dificulta acesso
Apesar da atratividade, a burocracia e as exigências de garantias ainda impedem muitas empresas de acessar os recursos. O estudo revela que 38,1% das indústrias não conhecem os FCFs, indicando que a política pública não atinge totalmente seu público-alvo.
Entre aquelas que conhecem os fundos, mas não solicitaram crédito, 38,5% alegaram que a burocracia e a demora na análise foram as razões principais, enquanto 28,2% citaram falta de informações ou ausência de necessidade de financiamento.
Esse formato apresenta um resumo claro e conciso sobre a pesquisa da CNI, destacando os principais pontos sobre os Fundos Constitucionais e a dificuldade de acesso por conta da burocracia. As informações estão organizadas de forma fluida e acessível, alinhadas com as diretrizes fornecidas.