No 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Curitiba, um artista se destaca não apenas por seu talento, mas por sua resiliência. Daniel Freitas, aos 42 anos, apresenta sua série de xilogravuras, a Cordel Urbano, que convida o espectador a olhar para as vidas invisibilizadas nas grandes cidades brasileiras e suas periferias. Usando uma paleta que prioriza cores quentes, com destaque para o amarelo, Daniel expressa sua vivência como uma pessoa com baixa visão, diagnosticado desde o nascimento com apenas 20% de capacidade visual.
“O amarelo é a luz do arco-íris, uma cor central no círculo cromático. O meu trabalho reflete a minha vida, a minha história e quem sou como artista”, explica ele.
Apesar das limitações visuais, Daniel encontrou na arte uma forma de superação. Diagnosticado também com nistagmo, uma condição que causa movimentos involuntários dos olhos, ele revela que seu cérebro adapta a situação, ajudando-o a ver as coisas com clareza. “Não me incomoda. O cérebro é incrível em corrigir e se adaptar a essas situações”, afirma.
A formação de Daniel incluiu o trabalho em centros de reabilitação para pessoas com deficiência visual desde 2009. Este engajamento o levou a oferecer oficinas de arte, focando especialmente em quem enxerga pouco ou nada. “Eu queria trabalhar minha própria aceitação, enquanto pessoa com deficiência.” Essa vivência o ajudou a se ver não como uma limitação, mas como um artista com uma profunda compreensão da arte e de si mesmo.
“Naquele ambiente, minha baixa visão nunca foi um obstáculo. A convivência me fez compreender que posso ser muito além de uma deficiência. Hoje, me aceito e reconheço minha potência”, compartilha.
Em seu trabalho, Daniel utiliza materiais que muitas vezes são ignorados, como restos de cena e pedaços de MDF. Ele acredita no poder da reciclagem, dando nova vida a objetos que estariam no lixo. “Ao trabalhar com esses materiais, ressignifico e crio arte a partir do que já foi descartado”, explica.
Entre seus instrumentos estão lupas e óculos projetados para ourives, fundamentais para detalhar suas gravuras. “Com esses auxílios, consigo ver pequenos detalhes, oferecendo um resultado mais refinado ao meu trabalho”, conta.
Enquanto apresenta sua arte, Daniel também reflete sobre a percepção que médicos e profissionais têm das deficiências visuais. “Em um congresso cheio de médicos, é fundamental mostrar a potência que uma pessoa com deficiência visual pode alcançar na arte. Espero que meu trabalho sensibilize sobre a importância da compreensão e do apoio a pessoas com deficiência”, conclui.
A história de Daniel é um poderoso lembrete da força e criatividade que podem existir mesmo em face das limitações. Que tal compartilhar o que você achou da história dele ou comentar sobre sua própria experiência? Vamos conversar!