O Banco da Amazônia (Basa) se tornou mais uma instituição a enfrentar dificuldades financeiras após a compra de letras financeiras do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central. Essa transação ocorreu em um cenário de crescente desconfiança, especialmente após o Master emitir R$ 1,867 bilhão em letras sem garantias aos institutos de previdência, sendo R$ 39 milhões destinados ao Basa.
Os empréstimos feitos pelo Banco Master, que se comprometeu a devolver valores altos com uma taxa atrativa de 122% do CDI, começaram a expirar sem o devido pagamento. As letras compradas pelo Basa, de R$ 25 milhões e R$ 14 milhões, venceram na última sexta-feira (5), gerando preocupação sobre a recuperação do capital investido.
Dados recentes indicam que 94% dos títulos privados do Basa estão em instituições com classificações de crédito seguras. No entanto, mesmo assim, em 2024, o banco decidiu adquirir R$ 39 milhões em letras do Master, que tinha recebido apenas um rating de “BBB”. Em um comunicado, o Basa minimizou sua exposição ao Master, afirmando que esse valor representava menos de 0,19% de seu portfólio total de R$ 20,3 bilhões.
Desde a revelação de sua exposição ao Master em novembro, o Basa não mencionou mais esse investimento em seus balanços financeiros. O banco alegou ter adotado as medidas apropriadas para proteger seus direitos creditórios e disse que estava atuando com responsabilidade conforme as normas do Sistema Financeiro Nacional.
Entretanto, como as letras adquiridas não possuíam garantias, a recuperação dos créditos do Basa não terá prioridade, o que o classifica como credor quirografário. Outras instituições, como os institutos de previdência de São Roque, Araras e Cajamar, já estão provisionando perda total dos seus investimentos em letras do Master, relatando a falta de expectativa de retorno.
Em contraste com o Basa, que comprou letras com vencimento em dois anos, os institutos municipais adquiriram títulos com prazo de até 10 anos, com pagamentos começando apenas em 2033. No entanto, algumas dessas instituições estão recorrendo à Justiça para garantir a devolução de parte dos investimentos, como no caso da Rioprev, que já obteve uma liminar para proteger os valores descontados de servidores e aposentados.
A situação legal também se complica em várias cidades, onde beneficiários estão pedindo a indisponibilidade de bens dos gestores após a compra das letras financeiras do Master, em montantes significativos, que incluem R$ 87 milhões em Cajamar e R$ 93 milhões em São Roque. Contudo, as solicitações de liminares foram negadas pela Justiça até o momento.
Esse cenário levanta questões importantes sobre a segurança dos investimentos e a responsabilidade das instituições financeiras em garantir a confiabilidade de suas operações. E você, o que pensa sobre esta situação? Compartilhe sua opinião nos comentários!