Após encontro com Lula, Ursula von der Leyen disse não saber sobre o veto à carne brasileira
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O governo brasileiro busca intensificar as negociações com a União Europeia após a exclusão do país da lista de exportação de carne. O veto, anunciado em maio, pegou Brasília de surpresa. Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que não tinha conhecimento da medida.
Lula pretende tornar o diálogo mais político, entendendo que uma abordagem técnica não garantirá a reversão do veto. A decisão afeta não apenas a carne, mas também novas restrições ao aço e ao óleo de soja, que entram em vigor em 1º de julho.
- A UE limitou a importação de aço, reduzindo o volume sem tarifas para 18,3 milhões de toneladas e aumentando a alíquota sobre excedentes de 25% para 50%.
- Essas restrições, embora abrangentes, não se aplicam exclusivamente ao Brasil e têm origem na superprodução global, principalmente na China.
- O governo brasileiro considera que essas medidas demonstram um viés político nas relações comerciais.
Estratégia diplomática
A prioridade do Brasil é não contestar as regras sanitárias da União Europeia, mas abordar as discussões de maneira mais diplomática. Desde o anúncio do veto, equipes do Itamaraty e do Ministério da Agricultura têm trabalhado para esclarecer as dúvidas europeias e restabelecer uma comunicação eficaz.
Uma nova linha direta foi estabelecida entre a diplomacia brasileira e a UE, visando resolver as questões que levaram ao veto e permitir a reabertura do mercado europeu para as exportações de carne do Brasil.
O desconforto gerado pela exclusão do Brasil se acentuou devido à falta de comunicação prévia. Embora o governo tenha tentado estabelecer diálogo sobre a conformidade da produção, não foram obtidas respostas satisfatórias do bloco europeu.
Entenda o caso
Em 5 de junho, a UE formalizou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, com a interrupção das vendas de carne programada para 3 de setembro de 2023.
A justificativa da UE é que o Brasil não apresentou informações suficientes para demonstrar que atende às exigências sobre uso de antimicrobianos na produção animal.
Isso implica na proibição de exportações de carne bovina, frango, carne equina, pescado, mel e tripas. A legislação europeia é rigorosa quanto ao uso de substâncias que promovem crescimento na pecuária, e o bloqueio se aplica até que o Brasil possa assegurar conformidade até setembro de 2026. Enquanto isso, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam aptos a exportar para a UE.
