31 agosto, 2025
domingo, 31 agosto, 2025

Maior predador do RS: força-tarefa foi montada para ouvir vítimas

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Ramiro Gonzaga Barros

A história de Ramiro Gonzaga Barros, de 36 anos, revela um lado obscuro do Rio Grande do Sul (RS). Ele foi preso em janeiro deste ano e, desde então, o número de vítimas de seus crimes não para de aumentar. A investigação conduzida pelo delegado Valeriano Garcia Neto já confirmou que Ramiro é responsável por violentar ao menos 217 mulheres, um número alarmante que exigiu a criação de uma força-tarefa para ouvir e acolher as vítimas.

A escrivã de polícia Iane Colpo, que está na linha de frente das investigações, compartilhou a angústia de trabalhar com as vítimas, em sua maioria adolescentes e crianças. Muitas delas ainda não tinham seus responsáveis informados sobre os atos de violência que sofreram. A complexidade e a sensibilidade das situações se tornaram evidentes antes mesmo do início dos depoimentos. O desafio de encarar o sofrimento dessas jovens é exacerbado pela necessidade de abordar o tema com cuidado e respeito.

Mas como a polícia conseguiu identificar tantas vítimas? Após a prisão de Ramiro, seus equipamentos eletrônicos foram apreendidos e analisados. De acordo com Iane, o predador organizava os arquivos em pastas que continham os nomes de suas vítimas, facilitando o trabalho da polícia. Entretanto, muitas dessas pastas não apresentavam informações completas, o que exigiu um esforço rigoroso para identificar cada uma delas. O volume de dados encontrados — mais de 750 pastas — transformou uma investigação aparentemente rotineira em um caso de enormes proporções.

Diante dessa realidade, a escolha por uma equipe de policiais mulheres foi essencial. Iane destacou a importância desse aspecto, já que todos os depoimentos foram realizados por profissionais que entendem a necessidade de preservar a intimidade das vítimas, que já haviam enfrentado dores profundas. “Esse trabalho é essencial para evitar a revitimização”, comenta Iane, que lidou diretamente com o trauma expresso em cada depoimento.

A delegacia de Taquara, cidade onde Ramiro residia, recebeu um reforço significativo de policiais mulheres, proporcionando assim um ambiente mais acolhedor para as vítimas e suas famílias. O processo de escuta foi meticuloso: enquanto vítimas maiores de idade eram abordadas diretamente, no caso das menores, os pais muitas vezes foram surpreendidos ao tomar conhecimento da violência que suas filhas haviam sofrido.

Além disso, o Ministério Público do Rio Grande do Sul implementou uma busca ativa para apoiar as vítimas já identificadas, através das Centrais de Atendimento às Vítimas e Familiares. O serviço oferece acolhimento e apoio psicológico em diversas localidades, buscando ressignificar o papel das vítimas no processo penal e garantir que seus direitos sejam respeitados.

Cada depoimento revela não apenas a gravidade do crime, mas também os danos irreversíveis que a violência causa nas vidas das vítimas e de seus familiares. O trabalho minucioso da equipe multidisciplinar é um passo importante na busca por justiça e reparação. E, agora, a esperança é que cada história seja ouvida e, mais importante, que cada vítima receba a atenção e o apoio que merece.

Você também se importa com a luta contra a violência e a proteção das vítimas? Compartilhe sua opinião ou histórias de apoio nos comentários. Sua voz é importante!

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