O mercado de crédito privado no Brasil está mais arriscado do que nos anos anteriores, mas isso não deve afastar os investidores. Pelo contrário, nesta incerteza surgem boas oportunidades, segundo Marcelo Urbano Dias, gestor da XP Asset Management. Ele enfatiza a importância de uma seleção cuidadosa de ativos e a montagem estratégica das carteiras.
Em uma recente participação no programa Stock Pickers, Urbano declarou que, embora os problemas de crédito sejam mais frequentes atualmente devido ao aumento do volume de operações, ele não vê isso como uma questão sistêmica. Com a experiência em busca contínua de oportunidades, ele acredita que ainda há espaço para bons investimentos.
“Não vejo ali uma questão sistêmica dentro dos nossos portfólios.”
Urbano comparou sua abordagem a de um trilheiro experiente que, mesmo em condições desafiadoras, sabe como se proteger e avançar. Para ele, o sucesso em um cenário mais arriscado depende de dois fatores: um cuidado rigoroso na entrada das operações e a diversificação da carteira. “Errar na escolha inicial de um ativo é o problema mais difícil de corrigir”, destacou.
Nos casos de erro, as equipes costumam recuperar entre 50% e 70% do valor investido, mas raramente conseguem recuperar tudo. Urban também aborda o crescimento acelerado dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), destacando que, apesar da rápida expansão, o setor ainda carece de maturidade. Ele projetou cerca de R$ 100 bilhões em emissões no ano, após já ter superado R$ 80 bilhões.
“Quando a quantidade aumenta, a probabilidade de problemas também aumenta”, alertou. Contudo, isso não deve desencorajar os investidores, que com frequência cometem o erro de avaliar a qualidade dos FIDCs apenas pela valorização de suas cotas subordinadas. Essa valorização é frequentemente influenciada por escolhas que podem não refletir a qualidade real dos crétidos.
Avaliação Eficiente de um FIDC
De acordo com Urbano, a avaliação correta de um FIDC deve focar no fluxo de caixa real do fundo, nos critérios de seleção dos créditos utilizados e na veracidade das informações fornecidas. Ele recomenda monitorar as curvas de safra, que indicam o retorno de cada lote de crédito ao longo do tempo, comparando esses resultados com o custo do fundo.
Além disso, ele alertou que fundos de curtos prazos podem criar uma falsa sensação de segurança. Com a carteira se renovando rapidamente, um erro do gestor em um único mês pode comprometer todo o fundo, uma vez que não existe tempo para amortecer os impactos de possíveis falhas.
A busca consciente por boas oportunidades é a chave neste cenário desafiador. E você, já considerou quais estratégias adotar para se proteger neste ambiente do mercado? Compartilhe suas impressões nos comentários!