Na última sábado (30), um mar de pessoas tomou as ruas próximas ao Festival de Cinema de Veneza, unindo suas vozes contra as ações do Exército israelense na Faixa de Gaza. Organizada por grupos de esquerda, a manifestação começou no início da tarde, em um contraste igualmente marcante com o glamour do festival, onde celebridades como George Clooney, Julia Roberts e Emma Stone passaram pelo tapete vermelho.
Artistas presentes no evento não se calaram. A diretora marroquina Maryam Touzani e seu marido, o cineasta Nabil Ayouch, fizeram questão de exibir um cartaz que exibia a mensagem “Stop the genocide in Gaza” (“Parem o genocídio em Gaza”) na noite de sexta-feira (29). No mesmo espírito, o diretor grego Yorgos Lanthimos escolheu usar um broche com as cores da bandeira palestina durante a coletiva de imprensa de seu filme “Bugonia”, demonstrando solidariedade.
Durante a abertura do festival, um coletivo de cineastas italianos independentes, denominado ‘Venice4Palestine’ (V4P), fez um apelo poderoso contra a guerra na Faixa de Gaza, que teve início após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Em uma carta aberta, pediram que o festival não se tornasse “uma tribuna triste e vazia”, clamando por uma posição clara em relação à situação. Até o momento, a carta já conta com 2.000 assinaturas de nomes proeminentes, incluindo Guillermo del Toro e Michael Moore.
O diretor da Mostra, Alberto Barbera, reconheceu a gravidade da situação em Gaza, mas afirmou que a Bienal não tomaria uma posição política direta. Em meio a esse debate, na próxima quarta-feira (3), o festival exibirá “The Voice of Hind Rajab”, obra da franco-tunisiana Kaouther Ben Hania, que retrata a história real de uma menina palestina assassinada. A gravação da chamada de Hind pedindo socorro chocou o mundo quando foi divulgada, trazendo uma voz angustiante à narrativa.
Esses acontecimentos em Veneza revelam não apenas a importância da arte como plataforma de manifestação, mas também seu papel indiscutível em trazer à luz questões globais urgentes. O que você acha sobre a intersecção entre arte e ativismo? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe suas reflexões!