Em uma decisão que ressoou no cenário político, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negou o pedido que permitiria ao ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, Marcelo Câmara, comparecer à formatura de sua filha em Maceió, entre os dias 10 e 15 de novembro de 2025. Em prisão desde 18 de junho, Câmara enfrenta graves acusações relacionadas a tentativas de obstruir a Justiça ao buscar informações sobre uma delação premiada na fase de investigação da Polícia Federal.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia se posicionado contra o pedido, destacando a incompatibilidade de sua liberação com as razões para a prisão de Câmara. Na análise da solicitação de liberdade temporária, Moraes deixou claro que sua decisão se baseava na gravidade das acusações. “O requerimento para que o réu compareça de maneira presencial aos eventos de formatura da sua filha carece de viabilidade, pois incompatível com as razões que fundamentaram a decisão de decretação da prisão preventiva”, afirmou o ministro.
“O requerimento para que o réu compareça de maneira presencial aos eventos de formatura da sua filha, no período de 10 a 15 de novembro de 2025, em Maceió/AL, carece de viabilidade, pois incompatível com as razões que fundamentaram a decisão de decretação da prisão preventiva“, pontuou o ministro do STF.
Em meio a essa situação, os advogados de Câmara solicitaram também autorização para visitas, entre as quais a do tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet. Essa parte do pedido foi aprovada por Moraes, que estabeleceu que as visitas ocorram dentro dos critérios definidos pelo Batalhão de Polícia do Exército de Brasília, onde Câmara cumpre sua pena.
Marcelo Câmara é réu no contexto da investigação a respeito de uma suposta trama golpista, integrando o núcleo 2 da denúncia apresentada pela PGR. A acusação envolve o monitoramento de autoridades, incluindo o próprio ministro Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin, logo após as eleições presidenciais de 2022. A primeira audiência do julgamento deste núcleo está agendada para os dias 9, 10, 16 e 17 de dezembro, marcando um momento crítico no desenrolar desse caso complexo.