
A escassez de vozes femininas no universo dos criadores de conteúdo sobre finanças e investimentos no Brasil é alarmante. Atualmente, as mulheres representam apenas 14% dos 904 influenciadores analisados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), uma queda significativa em relação a 15,5% em 2020. Essa diminuição não é resultado da diminuição no número absoluto de mulheres, mas sim do crescimento acelerado de influenciadores masculinos nesse espaço.
Descompasso no Mercado Financeiro
Apesar de chefiar mais da metade dos lares no Brasil, as mulheres ocupam apenas 35,4% das posições no mercado de capitais e 5,4% das presidências, segundo dados da Anbima. Embora 26% dos investidores de renda variável sejam mulheres, esse número é considerado abaixo do ideal, com 55 mil mulheres ingressando no setor apenas em 2025. Isso evidencia um descompasso crítico entre a presença feminina na sociedade e sua representação no mercado financeiro.
Recentemente, em um encontro promovido pela XP e a Fin4She, especialistas como Amanda Brum, CMO da Anbima, ressaltaram que para aumentar o número de influenciadoras, é imperativo aumentar a presença de mulheres no setor. “Tem que ter esse crescimento como um todo para que tenham mais criadoras”, enfatizou.
A Nova Era da Informação Financeira

Adicionalmente, um dado surpreendente da pesquisa Raio X do Investidor da Anbima indica que a inteligência artificial já é considerada referência em decisões de investimento por quase 11% da população, superando influenciadores que aparecem em apenas 7% das menções. Para o público jovem, esse número chega a quase 20%, com plataformas como YouTube e Instagram dominando a cena informativa.
Amanda Brum alerta sobre as crescentes fraudes nas redes sociais relacionadas a investimentos, adverte que as promessas milagrosas geralmente não passam de enganação. “As pessoas, às vezes, caem porque querem cair”, diz ela. É fundamental que os influenciadores atuem com responsabilidade, especialmente considerando os projetos de lei em trâmite que visam a regulamentação das atividades de criadores de conteúdo nas áreas de saúde e finanças.
A mudança começa com a força coletiva das mulheres. Que tal discutir isso nos comentários? Sua voz pode fazer a diferença!