Estudo mostra que aspectos psicológicos, como o estresse emocional, estão entre os fatores que intensificam a condição que afeta milhões de jovens
A acne vulgar é uma condição dermatológica inflamatória que acomete cerca de 85% dos indivíduos entre 12 e 24 anos, e pode estar relacionada a aspectos hormonais, genéticos e psicossociais. É o que aponta um estudo publicado em junho na “Revista FT”, que investigou a prevalência e as principais causas da condição em jovens brasileiros.
A pesquisa mostra que a acne vulgar transcende as manifestações físicas. Seu grau de severidade está diretamente ligado à insegurança e aos transtornos na vida social dos pacientes. Fatores psicológicos, como o estresse emocional, têm ação direta na pele, podendo intensificar o processo acneico ao provocar alterações hormonais que desencadeiam e agravam o quadro clínico.
Realizado com 623 voluntários de 18 a 35 anos, o levantamento revelou que 23,1% apresentavam acne ativa, com início, em média, aos 14 anos. As lesões predominantes foram comedões, pápulas e pústulas, geralmente, persistindo por mais de três anos.
Apesar de ser uma associação comum, a análise estatística não encontrou correlações significativas entre a presença de acne e o consumo de alimentos gordurosos, laticínios, álcool, tabaco ou o uso de creatina e anabolizantes. Da mesma forma, fatores hormonais isolados e condições socioeconômicas não mostraram influência relevante, olhando estatisticamente.
Por outro lado, os resultados sugerem que aspectos genéticos, hormonais e psicossociais exercem influência determinante no desenvolvimento da condição, reforçando a necessidade de uma abordagem multidisciplinar, que envolva tanto cuidados, quanto suporte emocional.
Outro ponto trazido pelo estudo é que, entre os participantes com histórico de acne, 40,9% afirmaram já ter realizado algum tipo de tratamento, sendo citados medicamentos tópicos, orais e procedimentos estéticos. Entre os últimos, foram mencionados limpeza de pele, peeling e microagulhamento.
Segundo informações do Ministério da Saúde, terapias como peelings médios e superficiais, laser fracionado ablativo e não ablativo e microagulhamento vêm sendo usadas como complemento terapêutico da acne, apresentando bons resultados na melhora da textura e na redução de cicatrizes.
O órgão também ressalta que o laser é uma tecnologia estética considerada segura e que produz melhores resultados no caso de cicatrizes, principalmente quando iniciado no último mês de tratamento com o medicamento isotretinoína.
A pesquisa da Revista FT ainda mostra que essas sequelas são comuns: 45,9% dos entrevistados relataram cicatrizes leves, 17,7% moderadas e 1,8% graves, enquanto apenas 34,7% disseram não apresentar marcas. Manchas pós-inflamatórias também foram frequentes, sendo relatadas por 45,3% dos participantes.
Um exemplo de tecnologia indicada para tratar essas cicatrizes é o Youlaser, equipamento que combina o laser ablativo de CO₂ e o não ablativo de Erbium (GaAs). Ele atua diretamente na regeneração do tecido e na uniformização da pele, mesmo quando a acne já não está em fase ativa.
De acordo com a biomédica e coordenadora clínica MedSystems, Raquel Siqueira, essas inovações têm transformado o tratamento da acne profunda, principalmente o tratamento das cicatrizes.
“Elas trazem uma vantagem significativa porque atuam ajudando a reduzir a inflamação, melhorar a textura da pele e controlar a oleosidade. São tratamentos modernos, seguros e que, ao longo de várias sessões, proporcionam resultados visíveis e sustentáveis, contribuindo tanto para a saúde da pele quanto para a confiança do paciente”, acrescenta;
A especialista ressalta ainda a importância de jovens com acne profunda buscarem o apoio de profissionais da área da saúde capacitados, que consigam avaliar a pele de forma individualizada e indicar o melhor caminho terapêutico.
Estudo avalia o impacto na autoestima e na saúde mental
A pesquisa publicada na Revista FT também destaca que o impacto da acne na percepção da pele e no bem-estar psicossocial foi um achado relevante. Entre os jovens entrevistados, 43,6% afirmaram que o estado da pele influencia muito sua autoestima enquanto 30,4% disseram que influencia moderadamente. Outros 16,4% relataram influência pequena e apenas 9,6% afirmaram que a acne não interfere em como se sentem.
Além disso, 18,9% dos participantes perceberam que a acne interfere em seu desempenho acadêmico, e cerca de 40,8% relataram já ter sido alvo de comentários negativos sobre a aparência da pele.
O Manual MSD alerta que as lesões e cicatrizes cutâneas podem ser uma fonte significativa de estresse emocional, especialmente entre adolescentes, podendo levar ao isolamento social. Em casos mais severos, o material indica que a orientação psicológica é recomendada como parte do tratamento.
Para Siqueira, o manejo da acne profunda exige paciência, continuidade e suporte emocional. “As maiores dificuldades nesse tipo de tratamento estão na persistência da inflamação, no tempo de resposta da pele e também na disciplina necessária do paciente para seguir corretamente as orientações. Além disso, o impacto emocional e na autoestima pode ser grande, o que reforça a importância de acompanhamento especializado”, ressalta.