31 agosto, 2025
domingo, 31 agosto, 2025

Moqueca, acarajé e velório: as liberações da ex-diretora do presídio em Eunápolis

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Imagine um local onde a linha entre o respeitável e o inadmissível se dissolve. Esse é o cenário do Conjunto Penal de Eunápolis, onde, sob a gestão da ex-diretora Joneuma Silva Neres, uma série de eventos surreais ocorreram. Comemorações do Dia da Consciência Negra, regadas a acarajés e rodas de capoeira, eram apenas algumas das regalias proporcionadas a determinados detentos. Mas isso é apenas a ponta do iceberg.

No último mês de janeiro, Joneuma foi presa sob a acusação de facilitar a fuga de 16 presos em dezembro de 2024. Sua gestão, que deveria ser pautada pela segurança e pelo controle, foi marcada por absurdos, como a permissão para que um detento “velasse” o corpo da avó dentro do presídio. Esse episódio chocou a opinião pública e gerou uma avalanche de investigações.

Os detalhes, revelados em uma denúncia do Ministério Público da Bahia, expuseram a fragilidade da administração do presídio. Um documento obtido pela TV Bahia descreveu a entrada de um caixão com um corpo dentro da unidade, permitindo que um dos chefes de um grupo criminoso realizasse um velório em plena cela.

E isso não é tudo. Outros privilégios absurdos eram comuns: acesso irrestrito a freezers fornecidos por “Dada”, um preso foragido, além de refeições extravagantes, como moquecas de camarão e lasanhas, que quebravam a rotina austera do cárcere. Música alta e visitas íntimas dentro dos pavilhões eram parte do cotidiano, subvertendo as regras disciplinares.

A situação se agravou quando, durante o feriado da Consciência Negra, um detento revelou que as celas estavam abertas, facilitando a evasão ainda mais. Joneuma foi finalmente detida pela Polícia Civil da Bahia após investigações que revelaram sua ligação com uma organização criminosa, o Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).

Na noite da prisão, diversos itens foram apreendidos, incluindo celulares e R$ 8 mil em espécie, revelando a profundidade do envolvimento de Joneuma com o submundo do crime. Ela foi levada inicialmente para a unidade policial, onde passou por perícia antes de ser transferida para o Conjunto Penal de Teixeira de Freitas.

A fuga dos 16 detentos, ocorrida em dezembro de 2024, expôs falhas evidentes na segurança do presídio. Armados, os criminosos invadiram a instituição e utilizaram uma “teresa” – uma corda artesanal – para escapar. Câmeras de segurança documentaram o momento caótico da fuga, evidenciando a vulnerabilidade do sistema.

Após a tentativa de fuga, a Polícia Civil descobriu um acampamento improvisado abandonado, repleto de colchonetes e cobertores, que indicava a presença recente dos foragidos. Apesar das evidências, nenhum dos fugitivos foi encontrado, levando a uma luta constante para restabelecer a ordem.

Os identificados incluem nomes como Sirlon Risério Dias Silva, Ednaldo Pereira Souza, e mais. O impacto desta série de eventos é claro: a fragilidade do sistema prisional e as consequências de uma liderança que ignorou a ética e a segurança. Em reflexão, o que você pensa que deveria ser feito para que isso não acontecesse novamente? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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