
A manhã desta sexta-feira (28) começou marcada por um episódio de forte tensão no bairro Arnaldão, em Eunápolis, onde um adolescente de 15 anos, investigado por participar e registrar decapitações, morreu durante uma ação da Polícia Militar. A operação foi mobilizada após uma denúncia que indicava uma possível reunião do Comando Vermelho para planejar um ataque contra uma facção rival, um cenário que reforça a escalada da violência e a vulnerabilidade de jovens aliciados pelo crime.
Segundo a PM, as equipes foram ao local para impedir o encontro. Informações apontam que houve troca de tiros, e parte do grupo fugiu pulando muros de casas vizinhas. No confronto, o adolescente Lázaro Oliveira dos Santos, conhecido como Tiziu, foi baleado e acabou não resistindo.
A morte do jovem ocorre enquanto a Polícia Civil já havia concluído que Lázaro não apenas integrava o grupo criminoso, mas também filmava execuções usadas para intimidar rivais. As investigações mostram que ele registrou as decapitações de Márcio Gleudison Batista, em setembro, e de Juan Costa Pinto, em agosto.
As imagens divulgadas nas redes criminosas revelavam detalhes perturbadores: no caso de Márcio, além de captar a ação, Lázaro aparece chutando a cabeça da vítima após a execução, um gesto que expôs, de forma brutal, a crueldade envolvida no episódio. A tatuagem em sua mão direita foi fundamental para a identificação.
Em celulares apreendidos, outras gravações mostravam o adolescente ostentando armas de fogo, inclusive um fuzil, evidenciando o grau de risco representado pela sua atuação dentro da facção. O delegado Manoel Vieira já havia solicitado a internação provisória do jovem, reconhecendo que sua participação ativa em crimes graves exigia intervenção imediata.
Na ação desta manhã, as equipes apreenderam munições, carregadores, drogas, um revólver sem numeração, uma balaclava e um celular. Os materiais reforçam o ambiente de disputa territorial que tem atraído e destruído vidas cada vez mais jovens.
O caso reacende o debate sobre o aliciamento de menores pelo crime organizado, a fragilidade social que os envolve e o impacto devastador da violência que se espalha pelos bairros mais vulneráveis. Embora visto como um agente de ações brutais, Lázaro também era um adolescente que, aos 15 anos, já vivia imerso em um ciclo de violência que terminou de forma trágica.