
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou nesta terça-feira (30) o fim da greve dos Correios e o retorno imediato dos trabalhadores às atividades a partir de quarta-feira (31). A decisão foi tomada durante o julgamento do dissídio coletivo, após semanas de impasse entre a estatal e os sindicatos.
A paralisação, iniciada em 17 de dezembro, deixou um rastro de impacto em todo o país, com 7,5 milhões de encomendas represadas, segundo dados apresentados pela própria empresa. Mesmo assim, a maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, ministra Kátia Magalhães Arruda, e decidiu não considerar abusivo o movimento grevista.
O TST autorizou um reajuste salarial de 5,10% e determinou o desconto dos dias parados, que será feito de forma parcelada em três vezes. Cláusulas já existentes do acordo coletivo foram mantidas, enquanto pedidos como adicional noturno, anuênios e redução de jornada ficaram de fora.
Um dos pontos novos aprovados foi a criação de uma cláusula que prevê jornada reduzida ou diferenciada para mulheres com filhos com deficiência ou responsáveis por pessoas com deficiência, medida vista como avanço social dentro de um cenário de forte tensão econômica.
Durante o julgamento, houve divergência. A ministra Maria Cristina Peduzzi defendeu que a greve teve caráter abusivo e alertou para a grave crise financeira dos Correios, posição reforçada pela advogada da estatal, que afirmou que manter benefícios incompatíveis com o caixa da empresa pode comprometer a sobrevivência do serviço público.
Mesmo em recesso do Judiciário, a sessão extraordinária seguiu até o fim, apesar de uma queda de energia em Brasília e selou uma decisão que tenta equilibrar direitos trabalhistas, continuidade dos serviços e a dura realidade financeira da empresa.
Os Correios enfrentam um amplo plano de reestruturação (2025–2027), que prevê cortes de despesas, fechamento de cerca de mil unidades, demissão voluntária de até 15 mil funcionários e a busca por até R$ 20 bilhões em recursos, incluindo um empréstimo de R$ 12 bilhões já contratado.
O recado do TST foi direto: a greve acabou, mas o conflito entre sustentabilidade financeira e proteção ao trabalhador segue longe de um ponto final.