
Plantão do Carnaval 2026 alcança 31 mil pessoas, acompanha 227 audiências de custódia e garante 20 medidas protetivas
A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) encerrou o Plantão do Carnaval 2026 com números que superaram, com larga margem, o planejamento inicial. Foram 31 mil pessoas alcançadas e 454 itinerâncias realizadas, mais de dez vezes acima da projeção inicial de 44. O resultado consolida uma atuação estratégica, preventiva e presente nos pontos mais sensíveis da festa.
Ao longo dos dias de folia, a instituição executou 357 atendimentos nas áreas penal e não penal, ampliando sua presença nos circuitos oficiais, bases operacionais e unidades públicas. A proposta foi clara: garantir direitos fundamentais em meio à maior festa popular do estado.
Presença nas ruas e no sistema de Justiça
As equipes percorreram circuitos, centros de acolhimento e áreas de apoio, fiscalizando condições de trabalho de ambulantes e catadores, verificando acessibilidade e monitorando situações envolvendo crianças, adolescentes e mulheres.
No campo penal, defensoras e defensores acompanharam 227 audiências de custódia, atuaram em 137 prisões em flagrante e em 90 prisões preventivas. A presença institucional assegurou a análise imediata da legalidade das detenções e a preservação das garantias constitucionais em um período de forte pressão sobre o sistema de segurança pública.
Violência contra a mulher no centro da operação
O enfrentamento à violência de gênero foi prioridade. Foram registradas 32 ocorrências, com 20 medidas protetivas de urgência concedidas. A atuação incluiu acolhimento jurídico, escuta qualificada pelo Núcleo de Atendimento Psicossocial e articulação com a rede de proteção.
Em meio à celebração, os números revelam uma realidade que exige vigilância permanente. O caso de maior repercussão envolveu um bebê de apenas um mês deixado sozinho no circuito após uma briga dos pais. A criança está em segurança e segue com acompanhamento enquanto a Justiça define a situação. O episódio expôs vulnerabilidades que não podem ser invisibilizadas pela euforia da festa.
Modelo integrado e resposta em tempo real
O Plantão foi estruturado em três frentes: 12 pontos fixos de atendimento, equipes itinerantes e ações de educação em direitos. Ao todo, 84 defensoras(es) e 83 servidoras(es) foram mobilizados para sustentar a operação.
O uso do Relatório Digital do Carnaval (BI) permitiu monitoramento em tempo real das ocorrências, garantindo respostas mais céleres e decisões estratégicas baseadas em dados.
Para a coordenação do plantão, os números refletem mais que estatísticas: representam intervenções concretas na proteção da dignidade humana. A avaliação institucional é direta o Carnaval mobiliza multidões, mas também impõe desafios sociais que exigem presença ativa do sistema de Justiça.
O balanço final confirma que, em 2026, a festa foi acompanhada por uma atuação robusta, técnica e humanizada da Defensoria. Enquanto milhões celebravam, uma estrutura jurídica permaneceu atenta para assegurar que direitos fundamentais não fossem atropelados pela multidão.