O novo Estatuto da Segurança Privada surge como uma alternativa à legislação antiga, prometendo contribuir para o enfrentamento da questão da segurança. Entretanto, a iniciativa não é uma solução definitiva. A criação do Estado moderno, voltada para garantir a segurança dos cidadãos, acaba sendo utilizada para o lucro de empresas no setor.
O mercado de segurança privada movimenta impressivos R$ 48 bilhões e gera milhares de empregos. Com mais de 250 estabelecimentos, esse setor inclui vigilância patrimonial, transporte de valores e segurança pessoal, contando atualmente com cerca de 30,7 mil trabalhadores. O debate ético em torno desse crescimento é necessário e constante.
Enquanto esse exército privado se expande, cabe a análise cuidadosa das propostas de segurança, pois a proteção não deve servir a interesses oportunistas. A previsão para a polícia militar estadual é de 44 mil servidores, o que destaca a importância de avaliar as empresas e suas peculiaridades.
Adotar o medo como estratégia comercial promove a pressão pela venda de serviços, como a instalação de câmeras, que muitas vezes são excessivamente evidentes. Não faz sentido ostentar dispositivos de segurança com excessos que mais atraem atenção do que protegem.
Os custos com recursos humanos são elevados, com um vigilante armado custando, em média, R$ 3,7 mil por mês. É essencial que os contratantes adotem rigor na seleção de profissionais para evitar vínculos inadequados entre gestores e trabalhadores. Alarmismos e episódios fabricados podem distorcer a análise objetiva que a situação exige.
Além disso, o Estatuto traz um aumento na responsabilidade dos contratantes, criminalizando a oferta de segurança armada sem autorização e reforçando a fiscalização pela Polícia Federal. No entanto, sua eficácia dependerá também da responsabilidade dos condomínios e da necessidade de resistir a narrativas que justifiquem gastos com interesses pessoais, em detrimento da coletividade.
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