Pesquisadora avalia a eficácia do plano de Flávio Bolsonaro no combate ao crime

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O plano de segurança pública apresentado por Flávio Bolsonaro, visando a campanha presidencial de 2026, apresenta propostas como a construção de novos presídios e o endurecimento de penas. Contudo, especialistas, como a pesquisadora Carolina Grillo, argumentam que essas soluções já foram tentadas e não resolveram a criminalidade no Brasil, com a população se sentindo cada vez menos segura.

A proposta é guiada por premissas que, segundo Grillo, não provêm de evidências concretas. Ela explica que a crença de que penas mais rígidas irão inibir o crime não se sustenta em dados e que criminosos não tomam decisões racionais antes de agir. Nos últimos 30 anos, a população carcerária no Brasil cresceu dramaticamente, mas a segurança não acompanhou esse aumento.

Um ponto central da crítica é que a própria estrutura do sistema penitenciário contribui para o fortalecimento das facções criminosas. Grillo observa que grupos como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital surgiram dentro das prisões, transformando-se em organizações complexas que controlam mercados ilegais e oferecem suporte aos seus integrantes.

Ela alerta que o encarceramento em massa resulta em misturar jovens vulneráveis com membros de facções, criando um ambiente favorável ao recrutamento criminal. Em vez de se protegerem, muitos acabam sendo vítimas desse ambiente prisional, tornando a prisão uma experiência criminogênica.

Para a pesquisadora, o que se observa no plano de Flávio Bolsonaro é uma continuação de práticas que se mostram ineficazes. Ao invés de novas soluções, há uma tentativa de “dobrar a aposta” em estratégias que já se sabe que não funcionam, como prender mais e endurecer penas. Ela argumenta que a real prevenção do crime não reside no aumento da severidade das penas, mas na certeza da punição.

Grillo ainda destaca que jovens em situação de vulnerabilidade não se envolvem com a criminalidade por acreditarem na impunidade, mas sim porque não veem alternativas fora das facções. Para combatê-las de forma eficaz, seria necessário adotar uma abordagem centrada em inteligência, investigando a fundo as estruturas econômicas que sustentam essas organizações, ao invés de confiar apenas em operações policiais.

A tentativa de resolver a violência apenas com mais repressão, segundo ela, frequentemente resulta na consolidação do próprio crime organizado. Por isso, um controle democrático sobre a força policial é fundamental na luta contra essas facções.

Quais são suas opiniões sobre as propostas de segurança pública? Você acredita que novas abordagens poderiam ser mais eficazes? Sinta-se à vontade para compartilhar seus pensamentos nos comentários!

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