No dia 12 de fevereiro, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram em segredo para discutir como sair da crise do Banco Master. Em uma declaração impactante, a ministra Cármen Lúcia revelou que “todo taxista que eu pego fala mal do Supremo”, refletindo o crescente descontentamento popular. Dados da pesquisa AtlasIntel/Estadão mostram que 60% da população não confia na Corte, marcando um recorde histórico de desconfiança.
Crise de Confiança
Essa desconfiança não é mais uma questão de polarização política, mas uma mudança generalizada, afetando até mesmo apoiadores do governo. Dentre os dez ministros, apenas André Mendonça goza de uma avaliação positiva; figuras como Dias Toffoli e Gilmar Mendes têm 81% e 67% de desaprovação, respectivamente. A percepção de perda de autoridade do STF é alarmante, uma vez que a legitimidade de um tribunal depende da confiança pública em suas decisões.
O Caso Master e Suas Consequências
O Caso Master intensificou essa crise, expondo fragilidades como a concentração de poder em decisões monocráticas e uma atuação percebida como proteção a seus próprios membros. Em um ambiente já marcado pela desconfiança, essa realidade fragiliza ainda mais a credibilidade da Corte. A falta de transparência e esclarecimento sobre temas sensíveis agrava a situação, tornando a comunicação um elemento crítico para a sobrevivência institucional.
Adicionalmente, a presença frequente de ministros no debate político tem erodido a imagem de neutralidade do tribunal. Após eventos significativos, como o Oito de Janeiro, o STF se afirmou como defensor da democracia, mas essa postura acabou sendo usada como escudo para evitar críticas. É imperativo lembrar que a crítica institucional não é um ataque, mas parte essencial do processo democrático. A personalização dos ministros como “heróis” para sustentar a legitimidade do tribunal é uma armadilha perigosa, incompatível com seu verdadeiro papel.
O STF precisa se reerguer com a reconstrução de seus fundamentos: independência, imparcialidade e impessoalidade. Sem isso, a perda de confiança se tornará irreversível. E, uma vez rompida, a confiança é extremamente difícil de retomar.