
Os Estados Unidos estão se preparando para dois grandes eventos esportivos nos próximos anos: a Copa do Mundo em parceria com o México e o Canadá, e as Olimpíadas de 2028 em Los Angeles. Mas a questão vai além de troféus; está em jogo a reputação do país como um anfitrião confiável e, principalmente, os impactos financeiros desses eventos.
Custo e Retorno: O Que Está em Jogo?
Os responsáveis pela escolha desse trio de países foram atraídos pela infraestrutura já existente, capaz de minimizar gastos. Um exemplo claro é que, em democracias, a hesitação em investir grandes somas está ligada ao temor de que esses gastos possam não se reverter em benefícios a curto ou longo prazo, afetando a popularidade dos governos. “Historicamente, eventos como as Olimpíadas e Copas do Mundo têm sido usados para fomentar o desenvolvimento econômico”, aponta Jesse Rogers, economista da Moody’s Analytics.
Contudo, medir o impacto de tais investimentos ao longo do tempo é complexo. Por exemplo, no Brasil, a análise sobre se os gastos da Copa de 2014 realmente melhoraram a situação econômica é nebulosa.
Casos de Sucesso e Fracasso: Lições a Aprender
Os Jogos Olímpicos em Los Angeles em 1984 e Barcelona em 1992 são apontados como raros casos de sucesso econômico. Após os Jogos de 1984, LA registrou lucros de US$ 215 milhões, um resultado surpreendente para a época. Em contraste, a edição de 1976 em Montreal custou 9,2 vezes mais do que o planejado, enquanto outras cidades, como Atenas e a África do Sul, enfrentaram orçamentos descontrolados.
O planejamento estratégico de Barcelona, que atrelou as Olimpíadas a um plano de revitalização urbana, ilustra como os eventos podem ser aproveitados para benefícios maiores. A revitalização da infraestrutura, com 83% do investimento focado em áreas não esportivas, posicionou Barcelona como um destino turístico de destaque nas décadas seguintes.
Por outro lado, dados recentes da Moody’s revelam que o impacto econômico da Copa do Mundo para os países anfitriões em 2026 será mínimo. Estima-se que o PIB do México aumente apenas 0,13%, enquanto nos EUA, o número é de 0,05%. Esse resultado deve-se, em parte, a uma queda na indústria de viagens americana.
Mas a questão mais ampla envolve o turismo. Andrew Zimbalist adverte sobre o “efeito de deslocamento”, em que turistas evitam cidades-sede devido a aglomerações e preços elevados. Durante as Olimpíadas de Pequim, a cidade viu uma queda significativa nas chegadas de turistas, um padrão que se repetiu em Londres.
Os eventos esportivos trazem à tona a incerteza sobre seu real impacto econômico, reforçando a advertência de que uma aposta em grandes eventos nem sempre resulta em ganhos tangíveis. Que tal compartilhar sua opinião sobre como as cidades podem se preparar melhor para futuros eventos esportivos? Sua voz é essencial!