Especialista aponta a necessidade de um novo rodoanel em BH com contorno mais eficiente

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Belo Horizonte — Três dias após um grave engavetamento na descida do bairro Betânia, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou a construção de duas novas áreas de escape no Anel Rodoviário. Embora a gestão do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) promova a medida como um avanço em segurança, especialistas contestam sua eficácia, classificando-a como um mero paliativo.

A discussão sobre segurança viária

O engenheiro de transportes Paulo Rogério Monteiro, da FGV, alerta que as novas áreas, necessárias no curto prazo, não abordam o problema estrutural que assola o Anel. Para ele, a solução ideal seria a criação de um novo contorno viário mais eficiente, cortando a Serra da Moeda e minimizando os trechos perigosos que os caminhões enfrentam atualmente.

“É importante criar essas áreas, mas até quando? O verdadeiro desafio é discutir um rodoanel que realmente resolva o problema”, argumenta Monteiro.

Em sua visão, um contorno viário de 68 km desviaria os veículos pesados de trechos críticos, promovendo segurança real aos motoristas. “Essa é a oportunidade de propor soluções estruturais de fato”, afirma.

Os dados alarmantes de acidentes

Dados recentes do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais indicam a ocorrência de 1.125 acidentes em apenas quatro meses no Anel Rodoviário. Isso representa uma média alarmante de cerca de 9,4 acidentes por dia, embora a PBH já tenha implementado algumas medidas.

Carreta acessa área de escape no anel rodoviário de BH
Carreta acessa área de escape no Anel Rodoviário de BH.

As novas áreas de escape, que serão construídas por um custo de R$ 10 a R$ 15 milhões e deverão iniciar as obras em 2026, têm um projeto que busca aumentar a segurança dos veículos pesados. Contudo, críticos como Monteiro ressaltam que medidas superficiais não podem substituir soluções prolongadas em infraestrutura, como a necessidade de áreas de escape mais eficientes, similares àquelas na BR-376, no Paraná.

A pressão está em cima da PBH: com a segurança nas rodovias em pauta, que medidas mais eficazes serão tomadas? Qualquer ação que não considere as verdadeiras causas dos acidentes será apenas um paliativo temporário. O debate sobre as soluções estruturais que realmente façam a diferença continua aberto.

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