Apesar da queda acentuada nos índices de homicídios no Brasil nos últimos anos, a sensação de insegurança continua elevada entre a população. Especialistas do Mapa de Risco, projeto do InfoMoney, apontam que o medo decorre mais dos crimes do dia a dia, como furtos de celulares, do que das estatísticas oficiais de violência.
A relevância da segurança pública já se consolidou como um dos principais temas da eleição de 2026, evidenciando uma desconexão entre dados de homicídios e a percepção coletiva de segurança. Carolina Grillo, pesquisadora do GENI-UFF, explica que a percepção muitas vezes não acompanha as tendências estatísticas. Apesar de o Brasil apresentar a taxa de homicídios mais baixa desde 2017, a população ainda sente que a violência está aumentando.
Esse sentimento de insegurança é intensificado pelo aumento dos roubos, especialmente de objetos de valor, como celulares. Segundo Grillo, isso gera um impacto direto, pois esses itens carregam não apenas valor material, mas toda a vida digital das pessoas. Além disso, a expansão das facções criminosas contribui para essa percepção, mesmo que não se traduza em aumento imediato dos homicídios.
A analista de política da XP, Bianca Lima, destaca que o medo do eleitor é um fator decisivo nas campanhas eleitorais, sendo mais influente do que dados estatísticos. Essas emoções e experiências cotidianas moldam as decisões de voto, levando candidatos a criar narrativas que dialoguem diretamente com esse temor. Um exemplo é o plano de segurança pública de Flávio Bolsonaro, nomeado “Brasil Sem Medo”, que tenta se conectar com a sensação de vulnerabilidade da população.
Essa virada para a segurança pública não é uma preocupação exclusiva dos governos estaduais, mas está se tornando central nas disputas presidenciais. Fatores como o crescimento do crime organizado e a recente classificação do PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas nos EUA intensificam essa preocupação, enquanto o governo Lula busca responder com políticas de combate a facções criminosas e ações contra o mercado negro de celulares.
A difusão de câmeras e a intensa cobertura da mídia têm feito os crimes mais visíveis, aumentando a sensação de insegurança. Especialistas concordam que essa percepção continuará a influenciar o comportamento do eleitor até as eleições de outubro, demonstrando que o medo e a experiência vivida pesam mais que números frios.
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