
No Kremlin, Vladimir Putin recebeu Steve Witkoff, enviado especial de Donald Trump, e Jared Kushner, genro do ex-presidente, para discutir um possível caminho para encerrar o conflito europeu que já tirou milhares de vidas.
Antes da conversa, Putin avisou que, se a Rússia fosse desafiada pela Europa, a resposta seria rápida e desigual. Descartou as propostas europeias sobre a Ucrânia como absolutamente inaceitáveis para Moscou.
Trump mantém o discurso de que quer pôr fim à guerra, mas suas iniciativas, incluindo uma cúpula no Alasca e encontros com o presidente ucraniano, não resultaram em paz.
O vazamento de um conjunto de 28 propostas dos EUA acendeu alarmes em Kiev e em capitais europeias, que temiam concessões para Moscou em pontos como a Otan, o controle russo de partes da Ucrânia e restrições ao Exército ucraniano.
Em resposta, as potências europeias apresentaram uma contraproposta e, em Genebra, EUA e Ucrânia afirmaram ter criado uma estrutura de paz atualizada e refinada para avançar.
Putin recebeu Witkoff com um sorriso e demonstrou curiosidade sobre a caminhada dele por Moscou, incluindo a Praça Vermelha e o mausoléu de Lenin, em passeio acompanhado por intérpretes.
As conversas no Kremlin se prolongaram pela madrugada, com mais de quatro horas de diálogo. Trump, em Washington, ressaltou a dificuldade da tarefa, dizendo que a guerra tem causado entre 25.000 e 30.000 baixas mensais.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, lidera os esforços para ajustar o plano original, buscando uma versão que atenda às exigências de Kiev e de seus aliados, enquanto Witkoff atua para encerrar o conflito.
Putin acusou a Europa de sabotar as negociações apresentando propostas que sabia serem inaceitáveis para a Rússia. “Eles estão do lado da guerra”, afirmou, cobrando uma linha que não permita adulterações do processo de paz.
O presidente russo disse que não almeja guerra, mas deixou claro que, se a Europa iniciar confrontos, o desfecho será tão rápido que não restará espaço para negociações. Ressaltou ainda a ameaça de cortar o acesso da Ucrânia ao mar em resposta a ataques a navios da frota russa no Mar Negro.
Mapas de fontes pró-Ucrânia apontam que as forças russas controlam parte da Ucrânia, com avanços recentes. A Reuters indica números de vítimas acima de 1,2 milhão entre mortos e feridos, embora nem Kiev nem Moscou forneçam contas oficiais.
Zelenski, falando em Dublin, disse que o desfecho dependerá das conversas em Moscou, mas alertou que os Estados Unidos podem perder o interesse no processo de paz se não houver movimentos reais. “Não haverá soluções fáceis… tudo deve ser justo e transparente”, ressaltou.
Putin afirmou que as discussões até aqui não configuram um acordo, mas um conjunto de propostas que podem servir de base para futuros acordos. Ele diz estar pronto para negociar, desde que a Ucrânia aceite condições que garantam influência russa sobre Donbas, Crimeia e áreas afins, além de garantias de segurança.
A guerra, iniciada em 2022, tornou-se a mais grave crise entre Moscou e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria. O conflito já envolveu mudanças na geopolítica europeia, com a Ucrânia recebendo apoio ocidental e as negociações caminhando entre avanços e recuos.
Como os próximos passos se desenrolarão é incerto, com cada lado defendendo seus interesses enquanto as negociações avançam lenta e firmemente. Compartilhe nos comentários qual ponto você considera decisivo para a paz e o que deveria acontecer a seguir.