Quando não faltou lucidez ao general que se diz esquecido

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Na região agreste de Pernambuco, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, reencontrou um antigo cabo eleitoral e, após um caloroso abraço, fez uma pergunta aparentemente simples: “Como está sua sogra?” A resposta que veio foi do tipo que faz rir e pensar. O cabo, com um sorriso no rosto, disse: “Ela vai muito bem, muito bem mesmo”. Mas Múcio não se contentou apenas com isso. Curioso, continuou: “E de cabeça, de memória?” O homem, com um ar de satisfação, replicou: “Ela está nítida, nítida, nítida.” Surpreso, Múcio insistiu: “Nítida, nítida? Não será lúcida, lúcida?” E a resposta veio, com franqueza: “É que eu nunca me lembro de dizer essa palavra”.

Essa leveza do cotidiano destaca um contraste fascinante com a triste e complexa situação do general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional do governo Bolsonaro. Condenado a 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Heleno alega que sofre de Alzheimer desde 2018 e pede para cumprir a pena em casa. No entanto, durante seu tempo no cargo e até mesmo em seu julgamento, sua lucidez era inegável. Um exemplo claro disso foi sua participação em uma reunião de 5 de julho de 2022, quando Bolsonaro se mostrou preocupado com sua derrota nas eleições.

Naquela ocasião, a proposta de Heleno foi clara e direta: “Não vai ter revisão do VAR. Então, o que tiver que ser feito tem que ser feito antes das eleições. Se tiver que dar soco na mesa, é antes, e se tiver que virar a mesa, também é antes.” O que se viu depois foi um desenrolar de acontecimentos que culminariam em um golpe fracassado, evidenciando a fragilidade da estratégia militar e política daquela época.

Hoje, tanto Bolsonaro quanto Heleno encaram uma realidade crua. Refugiado nos Estados Unidos, Bolsonaro assiste passivamente à invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, um momento de turbulência que apenas confirma o descontentamento social. O ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses, ainda almeja a possibilidade de um alívio em sua pena, assim como o general, que aguarda decisões do ministro Alexandre de Moraes sobre seus exames que podem alegar sua insanidade.

A ironia do destino é invisível, mas palpável: condenados não apenas por seus atos, mas também por uma tentativa desesperada de manobras políticas. Mesmo assim, o que resta agora para o general é um desejo simples: boa sorte, general. Passe bem.

Qual é a sua opinião sobre essa situação? Você acha que a justiça está sendo feita? Comente abaixo e compartilhe sua visão!

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